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sábado, 2 de junho de 2012

Próximo encontro (1 de 2)

Este relato foi originalmente publicado em iFetiche


Era o final de semana do dia dos namorados, data que pra mim é rica de memórias. Não que fosse difícil recordar da infância, mas, com tanta vivacidade, pouco provável. Perder a inocência foi um passo que veio sem música, apenas o cheiro do suor do atrito dos corpos.
Mais uma vez iria ver ela. Estava cheio de expectativas. Mesmo assim, estava pronto para que ela partisse a corda e não quisesse mais coisa alguma comigo. Seria nosso segundo final de semana exclusivos, alheios ao resto do mundo. Era assim que ela gostava de dizer que dedicava sua atenção a mim, aquele momento apenas. Custava acreditar que pudesse separar tão bem as coisas, mas, começa acreditar que era possível.
Busco ela e estamos a caminho da uma pousada aqui mesmo na Ilha. Não conhecia o lugar. Antes mesmo que chegássemos ao lugar pediu a seguinte coisa:
- Estou cansada da semana e suja do dia. Não tive tempo de me preparar antes da viagem. Poderia tomar um banho antes de qualquer coisa?
Não afirmo e nem nego, apenas olho e deixo que interprete como quiser meu semblante. O lugar é bem isolado. Gosto disso. Com ou sem gritos, é bom ter privacidade.
Com a curta intimidade que tínhamos, já morria de tesão por aquela carne pálida. A vontade contida no meu corpo era maior e mais forte do que meu cérebro. O movimento contínuo de rasgar ela nas mais diferentes formas era a sombra da minha insanidade. Entramos na pousada, no quarto, e eu nela. Joguei tão logo seu corpo na parede fria do quarto, que mal teve tempo de reagir. Provável que não o quisesse. Da parede para o canto da cama. Calça nos joelhos, o caminhar dos pinguins e já deixava sua marca ali mesmo, molhando tão logo a colcha por sobre a cama. Meu suor completava o movimento dos fluidos. Não gozei, e nem o queria naquele momento. Ela capota e reclama que não cumpri o trato.
- Ora, que trato?
- De que eu pudesse tomar banho antes.
- Não falei que podia.
- Mas, você me olhou.
- Eu te olho o tempo todo. Agora, pode ir para o banho. Tenho algo especial pra gente.
- O que?
- Banho.
- Não vai me falar?
- Banho.
- Chato.
- Banho, e olha o respeito. Depois apanha, e não sabe o porquê,
- Como se eu não gostasse.
- Garanto que faço não gostar e deixe de enrolar. Banho, mas, antes, vem e me beija.
Ela beija de um jeito sem apego e vai para o banho. Sei que é da natureza dela, mas, é exatamente aí que mora o segredo. Esconder aquilo que consideramos mais valioso. Mesmo que ela não tenha dito explicitamente, sei que pensa assim. O dito pelo não dito. As coisas que guardamos atrás de nós mesmos.
Enquanto se banha, preparo a cena. A minha ideia é pregar uma peça nela. Sento, papel, caneca e cigarro. Sento na poltrona ao lado da cama. Bem colocado este móvel aqui. Vai servir perfeitamente para o que pretendo. O cigarro na mesinha ao lado. Labuta. Como é chato escrever a punho. Tomara que num futuro não muito distante a caneta obedeça direto pensamento. Quem sabe minha letra melhora. Devia ter feito antes. Enfim. Duas cartas, o mesmo texto. Vai ser divertido. Ela aparecer enrolada na toalha e pergunta:
- Preto ou vermelho?
- Não terá importância alguma a cor para o que pretendo.
- Está muito azedo hoje.
- E você, um bocado insolente. Falta pouco para levantar a voz pra mim. Coloque algo prático, é o que posso dizer.
- Escolhe vai. Preto ou vermelho?
- Quero surpresa.
Entra novamente no banheiro para o "ritual mulherzinha". É naturalmente bonita e não entende. É aquela teoria do pijama. Quer saber se uma mulher é realmente bela, manda colocar um pijama. Se ainda assim se sentir atraído por ela, bem, pode casar.
Termino ambas as cartas. A caixa e as cartas no meu colo. Mais um cigarro e a angustia do esperar.
- Não irá desfilar numa passarela. Sabe que não gosto de esperar. Tem 5 minutos para terminar.
(Para quem ficou curioso em saber o conteúdo da carta, clique AQUI)
Está impecável após o banho. Quase que a volúpia cega meu tato e repito os movimentos introdutivos do corpo. Mas, ainda consigo controlar e dou o exemplo frio. Digo que escolha a carta e que leia a mesma. Seria um teste de interpretação das ordens.
Aqui há um momento de ruptura no texto. Posteriormente, ou não, a colcha de retalhos será vista.

Ministério da Saúde não sabe o que é poesia
   

Um comentário:

elfah disse...

Que eu me lembre, quem ficou pronta a um tempão e no final estava esperando era eu :P :*

Lembrança boa da pegada na parede :D

Otimas palavras MM