Páginas

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Maldita Cassandra Rios

O texto que segue foi originalmente publicado em iFetiche


Este relato não pretende ser algo motivacional como "Você conseguirá gostar de ler se insistir" ou ainda "Encontre a felicidade nos livros". Muito pelo contrário, pretendo indicar livros que irão fazer mal. Gosto de pensar que são do tipo (se é que tipificar é válido) de "auto-destruição", aqueles que ficam escondidos nos cantos mais sujos das livrarias, no qual a maioria dos vendedores não sabem do que se trata, que subvertem e que farão do leitor um maldito zombie, devorador de outros cérebros.

Durante algum tempo, como ritual matinal, antes da labuta diária, sentava eu num banco qualquer e lia. Não dependia do barulho ou do fluxo de pessoas. Conseguia facilmente me isolar de tudo quando passava os olhos nas frases. Sempre estava com no mínimo dois livros na mochila. Caso algum terminasse, haveria o outro para dar continuidade. Fazia questão de levantar antes para ter mais tempo para me perder nas páginas. Mas, este vício, não foi algo que nasceu comigo.

Fui um leitor tardio, que descobriu o prazer dos cheiradores de papel de forma indireta, quase como competição. Sempre fui curioso, perguntador, e muitas vezes até chato. Porém, não deixava de ser raso. Faltava descobrir onde a minha curiosidade poderia morrer. Sim, queria estrangular aquela maldita. Afinal, quem quer ter uma mente perguntadora? Não sei se tive sorte ou azar em ter sido um analfabeto funcional durante tanto tempo, mas, as circunstâncias daquele momento me faziam refletir que era necessário o movimento. Que fosse para afirmar a total ignorância e repúdio aos livros, pronto para atear fogo até mesmo nas pessoas, se fosse o caso, ou então, admitir a minha ignorância de forma mais humilde como "tenho muito para ler, mas, é bom eu começar logo...". E assim foi.

Procurando um dos tantos bancos, um livro que tive a curiosa tristeza de não terminá-lo foi Eu sou uma lésbica da autora Cassandra Rios. Quando digo "não terminá-lo" não significa que não findei as páginas, mas, que os ecos daquele livro ainda são vivos na minha memória. Extremamente perturbador, o livro é uma história de amor. Amor proibido de uma menina pela sua vizinha, muito mais velha e casada. Menina no sentido mais inocente da palavra. Partindo da perspectiva do sentimento, a menina, que vira moça, que vira mulher, constrói toda a sua sexualidade baseada na sombra do desejo.
Brasileira, marginal e pornógrafa, Cassandra Rios era best-seller nos tempos da ditadura militar. Alguns livros da autora são facilmente encontrados em sebos do Brasil inteiro, afinal, não conseguiram queimar todos, mesmo em tempos de repreensão. Mas, em contrapartida, pouca coisa dela é publicada atualmente. Gostaria, e muito, que os livros tivessem novas edições, afinal sou aquele tipo rabugento de leitor que gosta de desvirginar os livros.

Maiores informações sobre Eu sou uma lésbica.
Maiores informações sobre Cassandra Rios.
Para comprar os livros dela, baratinho, clique aqui.

Eu sou uma lésbica

P.s. É de sua conta e risco a leitura. Livros fazem mal.   

3 comentários:

aldrey disse...

Adoro um livro,vontade de ir a livraria toda vez q saiu e comprar muitos,mas impossível...Mas uma boa leitura faz agente viajar,esse n ão conheço interessante..bjsss

elfah disse...

Parece bem interessante um livro...

MM, além de cupido, Mestre e relações públicas, vc ainda é uma fonte de cultura :*

Que bom que apesar de tardia, seja surpreendente :)

Sarinha disse...

Também amo desvirginar livros.
beijos
Sarinha