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domingo, 4 de março de 2012

Breviário Obsceno XVI - Sem maiores detalhes

...
- Sim, você entendeu muito bem. Sem nenhum acessório. Apenas o vestido vermelho e os sapatos pretos. Nada de calcinha, brincos ou qualquer outro detalhe.
- Mas, vou me sentir totalmente nua! Nem aqueles brincos que usei na primeira vez? Sei que gosta deles. Poxa, faz tanto tempo que não usos eles.
- Sabe que não irei ceder. Então, pare de frescuras e esteja pronta em 20 minutos. E me espere no saguão. Não quero correr o risco de ter vontade de te descabelar toda e muito menos estragar o que planejei.
- O que planejou?
- Agora tem 19 minutos. (E ele desliga o telefone na cara dela...)
...
Como era do costume dele, já estava no local quando faltava 5 minutos para o romper do prazo. Sabia que ela  iria se atrasar. O tempo deve correr de formas diferentes para as demais pessoas. Ele só precisava controlar seu ímpeto e tudo estaria resolvido. Deu o horário combinado, nada dela. Mais 10 minutos ele pensou. E assim aguardou. Quando a tolerância havia estourado, virou as costas e se dirigia novamente ao carro. Escutou passos apressados atrás dele. O salto alto marcando o chão quase em marcha atlética.
- Mil perdões. O elevador estava muito demorado e acabei descendo pelas escadas.
Nisso ele vira para e dá uma bofetada que esquentou a própria mão no ato.
- Eu adoro esperar, principalmente quem se atrasa.
A partir deste momento, existe um terceiro na conversa. Entra no carro junto com o casal. Senta no banco de trás, afinal não tem a mínima intenção de separar eles. Assim que todos ficam devidamente acomodados, o Silêncio dá um longo monólogo, principalmente para ela, fazendo com que reflita se aquilo é mesmo o que procura para seu prazer. Já ele, reflete intensamente que deveria estar lendo o último livro do Gonçalo M. Tavares que havia acabado de comprar.
Quase chegando ao destino programado por ele, decide apertar o botão vermelho ao lado do volante, ejetando o Silêncio pelo teto com a seguinte frase:
- Hoje não vai ser a minha puta, e sim a dos outros.
- Por favor, explique melhor.
- Estamos quase chegando num ponto famoso de prostituição da cidade. Provavelmente não o conhece. O jogo vai ser você se oferecer, ser durona, resistir até onde puder e...
- E mais o que?
- E mais nada. Apenas isso.
- Tá, mas, isso não é perigoso?
- É.
- Vai me deixar ali como uma puta velha e acabada no relento?
- Vou
- É insano este jogo que vamos fazer hoje.
- Eu sei.
- Já não basta tudo o que faz comigo. Agora, vai me expor a uma situação assim deplorável?
- Bem isso. Deplorável ao bom estilo meretriz de esquina.
- Não tenho ideia de preço pelos "serviços". Como vou saber quanto é uma mamada ou o serviço completo?
- Pense o seguinte, se você cobrar barato demais, vai acabar entrando no primeiro carro que parar ali, Bem que com esse corpinho todo malhado e bronzeado, o quanto cobrar, vão acabar pagando. Cobre sempre adiantado e diga que não aceita débito ou crédito.
- Como assim "não aceita débito ou crédito"?
- Acha que cada puta agora não tem a sua maquininha de cartão na bolsa? Se até flanelinha tem, por que as tias da rua não?
- Inferno de capitalismo.
...
- Pronto. Chegamos. Salte aqui. Venho te buscar assim que o dia raiar. Neste mesmo lugar. E tudo o que ganhar é meu, entendido?
- A brincadeira está bem bacana. Estou realmente com muito medo. Deixa eu voltar pro carro e me come agora, gostosinha do jeito que estou. Pra ti, nem vou cobrar nada e garanto os meus serviços.
- Salte agora.
- Não pode estar falando sério. Das outras vezes, era apenas eu e você. Por mais maluca que fosse a situação, não envolvia outros. E se um maluco decide fazer mal de verdade pra mim, como eu fico? E porra, eu tenho uma imagem a zelar. Sei que não estou na minha cidade, mas, vai que um conhecido me vê fazendo  ponto, e ainda mais um lugar assim. Alivia pra mim, por favor.
- Salte.
...
Ele deu a volta no quarteirão, escondeu o carro e deixou a moça lá, mais de uma hora, no frio, com medo e levando dedadas aleatórias de tarados que procuravam saciar a fome que não cala. De fato, ela foi forte, mas, não esperava o desenlace que estava por vir. Malandro, ele se aproxima de uma forma contra o fluxo natural dos carros. Chega por trás, bota um capuz nela e a algema. Logo em seguida, joga ela nas costas e não diz palavra alguma. É nítida a tensão no corpo dela. Leva ela até o carro, abre o porta-malas e joga o corpo lá. A todo pulmão, ela berra socorro, mas, ninguém dá ouvidos para uma puta.
Mantém a frieza, mesmo com o desespero evidente dela. Guia o carro até um lugar distante e isolado, onde grito algum chamaria a atenção de viva alma, pois não havia nenhuma ali.
Parou o carro num solavanco, estrada de barro, o corpo dela deve ter se batido um tanto nas paredes do carro. Deixou assim, sem nada fazer durante alguns minutos. Então, abriu a sua porta e foi de encontro a sua bagagem especial. Mal abriu e ela abriu o griteiro novamente. Quase sem voz, rouca de rogar ajuda, assim que ele tocou novamente no seu corpo, não segurou a bexiga, e urinou ali mesmo. Os animais acuados sempre fazem o mesmo.
Tirou o corpo dela, levantou o vestido justíssimo e começou a bolinar o sexo dela como nunca havia feito antes. O que era negação antes, agora era pura afirmação de desejo. Ela continuava a relutar, mas, seu corpo reagia ao toque. Levemente úmida, molhada e ensopada. Em pouquíssimo tempo, foi a reação que teve. Antes arranhava e tentava chutar. Quando o sexo latejava de desejo, já não relutava mais ao toque. Quase aceitava que iria ser estuprada por um desconhecido, num lugar qualquer. Ele tira o membro teso para fora, faz mira e momento exato da estocada fala bem mansamente.
- Você não é a vadia de qualquer um. É apenas a minha.

Foto meramente ilustrativa retirada do Google
 

5 comentários:

Lets de Assis disse...

Tão tão...

aurorah disse...

A frase final.... a frase final :D
Parabéns por mais um texto para inebriar as fantasias :*
Bjss

Trév disse...

Ahaha, enfim!

Gozei por ela.
(rs)

Excelente teto, digno de molhar a calcinha.

Beijos

Cat disse...

uau... Sem mais.

Hélio Henrique Araújo disse...

Absolutamente demais.