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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Detalhes sobre o vermelho da parede

Realmente a chuva acabou com os meus planos. Queria ter passeado, ter respirado um pouco o ar cinza da cidade. Mas, sempre chove, cidade de eterna chuva. Perguntei de um canto tranquilo. Indicou alguma coisa entre indústrias. Final de semana, deve ser um tanto vazio e possível de fazer coisas. Muito claro. Vampiros não gostam do dia. Passamos pela frente de um motel. Ponderação: cama, chuveiro e privacidade. Olho para os dois lados da estrada, uma semicircunferência e suíte 211. Coincidência ou providência, a parede era vermelha. Um tanto óbvio se tratando de um quarto de motel, mas, poderia ter sido outro tom. O tema era tal. No canto esquerdo um móvel feito para o coito. Algo entre uma poltrona sem braços e um corpo de quatro esperando o coito infinito. Um objeto assim não deve ser utilizado para os movimentos iniciais da dança dos corpos.
Vou até o banheiro, confiro as toalhas. Mania velha, quase um TOC. Lavo as mãos. O contato com as partes íntimas exige isso. Por pouco não trago a bolsa que ela me deu. Teria sido bem útil. Mas, não tenho problemas com improviso.
Ela ainda olhava o quarto, mas, a mão foi mais rápida do que os olhos. Cabelo, puxão, para o chão. E assim, o membro teso da calça aberta salta, surra a face alva e preenche toda a boca. O primeiro corte deve ter sido feito ali, no sorriso metálico, recém posto, armado, no sorriso discreto. Lágrimas, gosto delas. Sempre dão um gosto especial ao meu prazer.
- Tire toda a roupa e olhe para aquela parede.
Com o dedo, indico qual parede. Mesmo assim, imersa nos seus sentidos, ela esquece ou finge não ter entendido. Começo a ponderar sobre as instruções que dou ou se ela faz proposital, apenas esperando retaliação. Putinha de castigo, só pode.
Novamente, o cabelo pertence a mão, que leva o corpo ao contato com a parede. Precisa disso. O contato com a parede áspera. Vejo que ela procura onde se agarrar. Sempre faz isso. Usa as mãos pra dar vazão as suas possíveis dores e prazeres. É uma característica interessante.
Sexo úmido. Não é difícil que comece a pingar. A pele fria espera a minha chama. Chego próximo a nuca e sussurro bem frouxo.
- Acha mesmo que serei brando?
Nisso, a outra mão golpei a bunda. Tapa seco que tira o corpo de qualquer centro que acreditasse possuir. Sem direção, o corpo afoito tenta fugir. Porém, entre a parede e a mão que gruda a face naquela superfície gelada, o repouso é o único movimento possível. Gosto de marionetes. Naturalmente associo os cabelos aos fios do titereiro e, num solavanco, a boneca dança um ballet em que seus pés mal tocam o chão. O chão. É isso que ela merece, e o corpo sucumbe aos meus pés, semi-convulsivo vai perdendo suas formas.
- Abra a boca. Língua pra fora e não feche um milímetro entre uma estocada e outra.
E assim, com as mãos para trás e de joelho, o membro é a anti-palavra. Aquela que anula e completa qualquer outra.
Cansado o falo de calar, agora quer ser ruido. Novamente, movimentos suspensos do erguer do corpo pelos cabelos cor de fogo. É o momento de usar aquele móvel estranho. Jogo o corpo, que demora a se recompor. Ergo e coloco na posição exata que tanto o tapa quanto o coito se encaixam com simetria. Sem qualquer delonga, ele entra fundo e ela toda líquida. O cabelo agora é o inverso da anatomia, pois se faz oposto ao descanso do corpo sob a poltrona. A mão direita é o algoz no momento.
Não demora e os corpos molhados de todos os fluídos. Após algumas pausas de silêncio...
- Vem e me banha. Estou embebido do teu gozo.

Não, não iremos abraçar balões.

5 comentários:

Fernanda Schimanski disse...

"Vem e me banha..."

Das ordens que se atende com doçura.

ariska disse...

Nuossa.. um texto de arrepiar.. amei..

aurorah disse...

Hummm... Bons momentos...

Suas palavras são tão boas quanto os seus puxões :*

A cor vermelha é o toque essencial...

elfah disse...

Estou com saudades dessa poltrona...

Cat disse...

Começando a entender a história de me apaixonar rsrs :)