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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Breviário Obsceno XIII - A bela que não ouvia o silêncio

Amália era uma moça como poucas em seu tempo. Conseguia esconder o coração. De uma beleza construída, talvez soubesse o quão fútil era em seu âmago, mas resplandecia. Cabelo escuro, muito bem tratado por sinal, tinha um ângulo particularmente bonito em suas unhas e sempre perfumada. Dificilmente não chamava atenção de homens e mulheres que admiravam o belo.

Pra burra, não servia. Talvez, faltasse um pouco de ambição com o conhecimento, mas, nunca precisou botar seu cérebro a prova. Tinha uma vida tranquila, estável e cheia de mordomias. Resumindo; a sua preocupação maior é que possuía uma vida cheia de vazios, sem desafios ou possibilidades de escolha. Era um arcano menor, que dificilmente seria posto a mesa. Nunca amou ou deixou ser amada. Vivia lendo histórias de paixões vorazes, mas não se imaginava em tal situação.

Declaradamente, preferia o vilão. Não gostava de bons moços. Desejava mesmo os de caráter duvidoso, mesmo não tendo se permitido mais do que devaneios.

Nossa personagem tinha um grave problema. Não conseguia escutar o silêncio. Mas, como alguém consegue ou obtêm tal peculiaridade? Bem, ela precisava constantemente de companhia, multidões, diálogos ou até mesmo música em alto e bom som. Quando ficava próxima do quase silêncio, começava a cantar. Talvez fosse alguma fobia de escutar os próprios pensamentos e entender o quão sem sentido são seus movimentos, quão sem aventura é seu comodismo e quão cativa é de sua própria imagem. Enfim, assim era Amália.

Porém, a trama não teria a menor graça se apenas contasse sobre o distanciamento entre Amália e o silêncio.

A questão principal deste relato é a tensa relação de Amália com um tal de Jorge, figura não menos importante para o que segue nas próximas palavras.

Jorge não matava dragões. Muito pelo contrário, era extremamente criterioso em suas vítimas. Assim mesmo que gostava de se referir as moçoilas do qual tirava seu principal prazer, a conquista. Era um macho viril, cheio de ardil e bom papo. Mas, sempre deixava claro: "Benzinho, você não é a única". Parecia discurso pronto, frase de para-choque de caminhão. Mas, boa parte das mulheres, e talvez homens, tem a estúpida mania de acreditar que "comigo, ele vai ser diferente". Sim, de fato, sempre é diferente, mas, nesse exato aspecto, a sinceridade de Jorge não se fazia de meios tons.

E como Amália e Jorge se cruzaram? Este é o ponto sacana da narrativa que fica a critério de cada leitor. Os fatos importantes que devem ser expostos são os seguintes:

  • Jorge tinha cara de bom moço, mas escondia muito bem o quanto era malvado;
  • Amália estava cansada da solidão acompanhada da multidão;
  • Jorge ficou encantado com a beleza de Amália, mas achou que não era algo que valesse. Via muitos vazios nela, e não estava nada disposto a preencher;
  • Amália ficou praticamente ofendida por Jorge não ter dado em cima da sua pessoa. Era o que acontecia na maior parte do tempo. A negação do mecanismo "Uau, como você é gostosa", foi o principal motor da putaria que vem a seguir.

Amália foi deixando cada vez mais claro o quanto tinha interesse, mais que sexual, em Jorge. Começaram com brincadeiras pequenas. Ela mostrando a nova peça íntima que havia comprado, só para mostrar na webcam (para ele). Ou ainda dançando uma música extremamente sexy também pela rede. Possuíam um hiato relativamente longo entre os corpos, mas, Amália estava sempre presente, galgando cada vez mais espaço na vida de Jorge. De simples conhecida, para amiga. Amiga próxima, até amiga íntima. Nunca ela havia se dedicado tanto com alguma coisa ou alguém. O conquistador deveria ser conquistado.

Jorge não se sentia oprimido por aquelo movimento. Era um tipo de entrega que admirava. apesar de não estar acostumado. Cada vez mais, ela baixava suas armas e proteções, deixando tão evidente seus vazios, ansiando ser preenchida por ele.

Horas de conversas, delírios e masturbações. Um encontro então foi marcado. Neutro, lençóis brancos e serviço de quarto. Era apenas sexo, havia sido o combinado. Ela estava extremamente preocupada em agradar. Não era muito do seu feitio, mas parecia confusa, mais do que o normal. Não era inexperiente, pelo menos queria parecer. Jorge já conhecia a imagem do corpo de Amália. Caras e bocas não faltaram nas inúmeras horas investidas dela no seu projeto.

Amália chegou primeiro ao hotel. Parecia uma aventura estar hospedada no mesmo quarto, ainda mais, na mesma cama. Fugia totalmente da sua zona de conforto. Precisava se sentir viva, e aquela era uma oportunidade ímpar.

Depois de algumas horas entre banho, perfume, escolha da roupa, cabelo e sapato, estava impecável. Para buscar seu futuro fornicador, estava terrivelmente atrasada, como sempre acontecia. Jorge já aguardava (puto da cara), com sua pequena mala para o final de semana libidinoso.

Eles mal trocaram olhares, e um beijo fortemente trocado. Aquela saia justa e pernas bem torneadas golpearam a visão de Jorge, e o tesão se fez tão logo presente. Amália facilmente sentiu o volume na calça do moço. Mal entraram no táxi e ela já tratou de tirar da bainha a espada de Jorge. Ensaiou até que o chuparia ali mesmo, mas Jorge era puro controle e queria deixar Amália salivando mais ainda. Pois, foi o que conseguiu. Mal feito o check in, elevador, cartão na porta, ela tenta arrancar a calça/cueca/meia/sapato tudo junto. Nada funciona. Jorge tem o pleno controle da situação. Joga o corpo dela contra a parede, afasta as pernas e sente o sexo úmido. Traz o dedo até próximo do nariz. Senti o cheiro. Experimenta o gosto como se verificasse um vinho de boa safra. Ergueu totalmente a saia. Grudou ainda mais o rosto dela a parede. Amália já escorria pelas pernas. Para aumentar a tirania, Jorge reforça com a seguinte frase:

- Agora, vai ficar parada onde está e fechar os olhos.

Amália à contragosto, obedece. Porém, ficou louca de vontade de virar e partir para cima de Jorge. E o que ele faz depois daquele instante não deve ser repetido por pessoas sem instrução para tal. Jorge, sem a mínima postura abaixa e observa a verdade. Olha diretamente para o caminho da morte. Sim, a buceta. Dali, todos saem não para viver, e sim para morrer. Ele não queria morrer, logo, sacou seu instrumento de combate e foi a luta. Tirou do bolso sua cyber shot de 14.1 MP e começou a fotografar, totalmente de roupa e sem a mínima pressa de consumir seu novo bibelô. Amália ficou atônita com a situação. Como, aquele infeliz iria tirar fotos num momento como aquele, em que ela estava virada do avesso, ansiando um membro pulsante em suas entranhas. E o guerreiro estava preocupado com a iluminação do ambiente. 

Depois do terceiro ou quarto click, a moça subiu nos tamancos, se recompôs e acabou com a brincadeira do pobre Vasanpeine. Nem espada ou vara, nada foi enfiado em seu ventre oco. Amália ficou mais vazia do que jamais fora. Ergueu a cabeça, bateu a porta e nunca mais voltou.

Assim acaba a história triste e pouco erótica de Amália e Jorge. Para os que esperavam mais putaria, entrem em contato com a nossa central de atendimento, que em breve providenciaremos coisas mais baixas e sujas.

Obrigado.        








3 comentários:

Lets de Assis disse...

Que conto tirano! É da natureza de alguns exercer domínio psicológico; de outros, se deliciar nos caminhos pouco imaginados.
E imaginar um desfecho e ter uma surpresa dessas é no mínimo uma ofensa concedida por quem entra num blog desses!
Parabéns!
Bjks da Mommy

Mariii disse...

BAhhh, vou definitivamente reclamar com a central de atendimento!
Fiquei com um baita gosto de quero mais!
Muito bom o conto, a forma, e os personagens hem... nada que uma mudança subita n resolva :P
Bjsss e obrigada por deliciar seus leitores com novos contos!
:***

Delirios da Mel disse...

kkkkkk
impossivel não ficar com tesão, frustrada e dar algumas risadas...
Adorei!!!
Lu