Páginas

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Boneca atrasada

Quinta-feita, 25 de março de 2010. Final da tarde. Mais um dia qualquer de outros tantos. Uma loira olha a estante de literatura estrangeira. Parece estar perdida. Fato que pouco tempo depois teria total certeza. Ponderava entre atender ela e continuar clicando o mouse em páginas aleatórias sobre livros. Ela parecia aflita por ajuda. Uma abordagem seca e direta. Não gosto de loiras, fato.

- Bem, posso lhe ajudar?

- Olá! Sim sim (grifo meu: odeio pessoas que mexem a cabeça para dizer sim ou não, pior ainda quando fazem o uso repetitivo dessas palavras).

- Procura algum livro específico? Pra você ou presente para alguém?

- Então, estou procurando um livro que não sei o nome e não sei o autor, só sei que tem uma bunda na capa.

- Ficou fácil, História do Olho do Bataille (ergo a mão e faço saltar o livro nos olhos dela... azuis).

- Nossa, como você adivinhou?!?! Você deve ser muito inteligente.

- Nem tanto. É um dos meus autores prediletos, junto com alguns outros do mesmo gênero. E não leio este tipo de literatura por ser inteligente, e sim porque gosto.

- Nossa, que legal!!! (nota mental: ela se surpreende muito fácil). Então, já leu este livro? É bom?

- Como falei, é um dos meus autores prediletos, junto com o Sade, o Pietroforte, e outros na mesma linha erótica e malvada.

- Nossa, como você é inteligente!!! (notal mental 2: agora é o momento exato de fazer valer os meus poderes paranormais e materializar uma ballgag para calar a boca dela...)

- Ter lido meia dúzia de livros sobre o assunto não me torna inteligente, e foi um acaso eu conhecer a capa do livro e você procurar o mesmo. Fiquei curioso com uma coisa, por que procura pelo livro do Bataille?

- Eu faço o curso de Psicologia e houve um comentário sobre o livro numa das aulas. Tive interesse e vim dar uma procurada, além de ter buscado um pouco disso na internet também.

- E como procurou na rede?

- Comecei a conversar com as pessoas em chat's e comunidades do Orkut. Sobre BDSM, mas não consegui achar ninguém aqui da região para conversar (nota mental 3: aonde está a câmera escondida? só pode ser pegadinha do Malandro!). Já ouviu falar disso?

- Por que tu acha que eu leio este tipo de literatura? (forço um sorriso debochado)

- Mentira!!! Nossa!!! Quero ser tua amiga!!! (os olhinhos azuis dela faíscam). Me passa o teu telefone? (oferecida)

- Não é bem assim, mocinha. Vai que você é uma psicopata, ainda mais estudando psicologia. (nota mental 4: flertei com ela, não vai terminar bem...)

- Ora, você é uma pessoa muito inteligente e deve ser muito interessante de conversar. (sei bem que tipo de conversa quer comigo, safadinha!!!)

- Vamos fazer assim, eu pego o teu fone e marcamos de tomar um café ou algo do gênero. Em breve deve ter um encontro do povo por aqui, quem sabe participa e te apresento.

- Existem outras pessoas? (a cara de espanto dela faz com que pareça estar descobrindo a vida inteligente num pedaço de queijo gorgonzola... juro que não é preconceito com as loiras, mas...)

- Sim, o pessoal senta em algum lugar e conversa sobre. Nada fantástico, apenas pessoas com interesses comuns.

- Puxa, que legal!!! Vou falar com o meu namorado e perguntar se ele não quer ir comigo também. (rá, tinha que ter um brinde junto...)

- E ele sabe que tem interesse nessas coisas? Não seja hipócrita em dizer que tua "pesquisa" tem caráter acadêmico.

- Bem, eu já tentei algumas coisas, mas não deu muito certo. Na verdade, ainda não sei bem o que quero pra mim. Estar com ele talvez seja cômodo, gosto dele, mas não tem aquele fogo. (ela faz uma carinha de triste, tenho vontade de botar no colo e dizer "vem aqui, eu te mostro o que é bom...")

- ...

- Está ficando tarde, tenho que ir.

- Ligo te avisando do encontro do pessoal assim que tiver. E o livro, não vai levar?

- Não não, hoje estou sem muito dinheiro. (ela nem perguntou o preço do livro...)

(Lapso de alguns dias)

- Alô, XXXXXXX (sim, não vou dar nome para a inocente). Como vai?

- Oi, Jonjon (que porra de intimidade que nunca dei pra ela estar usando?!?!?). Saudade de ti!!! Falei de ti para todo mundo, (sim, ela parece mesmo uma psicopata) de como é inteligente, e bonito. (pera aí, este elemento é novo no discurso dela...) Estou louca para o encontro do pessoal. (estar é muito diferente de ser? Cadê o meu medidor de insanos?)

- Olha, é justamente por isto que estou te ligando. Irá acontecer no sábado próximo, ali no Capitão Gourmet, na Trindade. Sabe onde fica?

- Não, mas se me explicar como chegar, eu apareço lá.

- Posso te dar um carona, se for o caso. Onde posso te pegar? (todas as segundas, terceiras e demais intenções presentes no sentido, na pergunta)

- Eu devo estar na casa do meu namorado. Ele já disse que não quer conhecer este povo estranho. Fica ali na Beira-mar Norte. É muito longe do local?

- Não, bem próximo. O pessoal vai estar lá às 20h, mas gostaria de conversar antes contigo.

- Ótimo!!! Assim, me fala um pouco sobre as pessoas e podemos nos conhecer melhor. No outro dia queria te perguntar tanta coisa, mas tive que ir embora. Mas, ando pensando muito em ti. (safadinha!!!)

- Combinado então.

(Lapso de mais alguns dias)

- Escuta, estou saindo de casa agora. Em 15 minutos estou na Beira-mar. Onde te pego? (sim, ainda com a piadinha infame)

- Vou me atrasar um pouco, ainda não estou na casa dele. (como assim? além de se atrasar, ainda vai passar na casa do futuro corno? hora de ponderar em abortar o plano)

- Olha, se ficar ruim, pode ir outro dia. Conversamos também outra hora.

- Não, não e não. Quero muito ir. O puto do meu namorado que resolveu ficar com ciúmes. É um tapado. Vou só dizer algumas palavras para ele e pode me buscar às 19h, ali na frente do Mac. (agora, ela pensa que eu sou taxi... vai custar bem caro, se vai!!!)

- Odeio esperar, mocinha. Vai ter que pagar uma prenda. (mostrando os dentes)

- Desculpa, faço o que quiser. (ela não tem a mínima noção do que acaba de falar)

- Dada a tua afirmação, vou pensar em como te castigar.

- Jonjon é malvado!!! (nem imagina como...)

(vou para o lugar combinado e aguardo tramando...)

Ela aparece. Namorado à tiracolo. Numa bicicleta e sem camisa. Depois ela não sabe o porquê de não ter interesse sexual nele. Um beijo para marcar a presa. Beijo de Judas.

- Sabe que está atrasada mais de 15 minutos, mocinha. Já estava indo embora. (faço cara de malvado e olho para ela)

- Puxa, mil desculpas. Faço qualquer coisa para me desculpar. (ideia fixa dela em fazer o que eu mandar... bom)

- Vai voltar para a casa dele depois? Espero que ele não se importe em ter o gosto de outro... (ela faz uma cara de espanto como se não soubesse das minhas intenções)

- Não sei o que dizer...

- Não diga nada. Até o final da noite, sou eu quem manda.

O povo ao redor da mesa é o mesmo. Ela é a exótica. Fica pasma e encantada com a maioria das coisas que são faladas. Mocinha ingênua. As devidas despedidas, levo ela para um lugar mais calmo.

- Bem, a mocinha comentou que gostaria de ter uma vida com mais aventuras. Hoje sou a tua aventura.

Nisto, aponto para minha braguilha. Ela sabe o que deve fazer. Mantêm o ar cândido, mas, vejo o fogo crescer nos seus olhos, apesar da baixa luz. Passo a mão nos cabelos dela, hesita um tanto. Mais firmeza e ela logo se entrega. Esfrego a cabeça dela na calça sobre o meu sexo. Reluta, finge não querer. Depois de algum tempo neste movimento obtuso, abre vorazmente qualquer coisa entre meu sexo e ela, e me engole por inteiro. Não imaginava que uma boca tão pequena como aquela, conseguiria fazer algo tão profundo. Ávida e sedenta, quase arranca meu gozo em alguns momentos.

- Calma, mocinha. Não é para arrancar ele fora, não é teu e não tem apenas esta função. Está toda babada. Gosto disto. Bem, por ter sido muito irresponsável com as horas, hoje vai ficar sem qualquer outro prazer, além de me servir de prazer. Agora, pode me consumir.

Com mais gana ainda, suga qualquer seiva possível do meu falo. Não deixo ela se limpar. Terá que ficar suja até chegar onde deve ir.

- Então, para a casa dele ou a tua casa?

- Não posso me limpar mesmo? (ela ainda tem dúvida do que eu disse)

- A pergunta quem fez fui eu. Para onde?

- Pode me levar para casa, por favor.

- Hoje foi só um pedaço do que tenho em mente. É bom largar daquele que tu chama de namorado. Ele não te dá o que merece e muito menos o que precisa.

- Vou fazer isso o mais rápido possível. Quero ser tua.

Qualquer semelhança com a Boneca Polly é mera coincidência 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Não mais

Não vou mais brincar de amar
Muito menos me perder noutros braços
Deixei de acreditar que alguém conseguisse achar o caminho do meu coração
De tanto baterem nele, descobriu que sua proteção era o silêncio
"Não vou deixar que me ouçam bater... "
Mas, ele não sabe resistir a sorrisos
É o seu defeito mortal

Sobre a morte e os morreres, meu amor foi natimorto