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domingo, 20 de junho de 2010

Síncope do samba (a) três

Mais uma vez Lúcia sente algo úmido entre as coxas. Sinestesia daquele maldito cheiro que a tirava do sério. Aquele perfume tinha cor, passava de 1,80 m e calçava sempre sapatos muito bem engraxados. Nem Grenouille saberia descrever tão bem um simples aroma.

A mesma mesa, o meio sorriso e o café expresso puro. Era o ritual dele, em que ela fazia questão de participar. Após algumas semanas, até aprenderá o seu nome. Lúcia, nunca ela gostara tanto de ouvir seu nome. Mas algo a incomodava na figura dele.

Bonito, alguns cabelos brancos e nenhum anel no dedo. Ou era um solteiro convicto, o que pra ela pouco importava, ou não gostava de mulheres. De tempos em tempos trazia algum novo "garoto" para sentar a mesa. Sempre mais novos. Queria ela sentar a mesa e lhe fazer perguntas.

Porém, as perguntas pouco importariam pra calar o seu desejo. Queria apenas ele, por inteiro e vibrando. Cada vez mais forte, ela já traçava um plano para uma abordagem certeira, que sabia muito bem nunca executar.

Ele levanta e arrasta seu mancebo em direção ao lavabo. Momento perfeito para ela descobrir tudo sobre ele. Ousados, entram aos beijos no comodo vazio aquela hora do dia. A calça dele logo fica nos joelhos enquanto o membro golpeia a face do rebento.

Lúcia totalmente sem luz, rompe a porta e o seu pudor. Aquela felação febril só abriu as portas da sua percepção. Ambos girando numa espiral de prazer, nem percebem ela sentar na pia gelada e se masturbar freneticamente inúmeras vezes.

Após um jato fundo, escuta um gemido que não o seu. Recobra os sentidos despidos de volúpia do pós-gozo. Observa que estão sozinhos no ambiente. Mas, logo a frente, na pia encontra um crachá com o nome Lúcia.

Ela corre pela porta dos fundos sem dar nenhuma satisfação pra alguém. Amanhã pede as contas e arranja outro trabalho. Tem medo dos desejos que não consegue controlar, principalmente os seus.




terça-feira, 15 de junho de 2010

Agora, com GPS

Tenho um sério problema com localização. Andar por uma rua que não conheço e voltar por ela apenas dando meia-volta, é dar uma volta completa num lugar totalmente exótico, é puro caos para mim. Quer ver pavor tenho de estacionamento de shopping centre. Já tive a extrema capacidade de pagar o estacionamento, perder o tempo de limite para a saída e ter que voltar no guichê e explicar a triste história de "esqueci onde está o meu carro". Para os perdidos, a humanidade criou o GPS. E não me venha com a piadinha "Garota de Programa Special" (reparem na classe do Special). Todo homem tem um tanto de desbravador e precisa navegar por mares nunca d'antes navegados (nem que seja atrevessar a ponte e conhecer a Palhoça da forma mais rústica numa enchente qualquer). Querendo ou não é a necessidade de expandir seu micro-império e aumentar seus domínios. Divide et impera. Convencido de que precisava não me perder mais, troquei meu celular velho por um modelo novo com GPS, pela bagatela de R$ 1,00 (claro, tem toda a amortização no valor no plano de fidelização com a operadora, mas, não compro mais nem uma Coca de garrafa por 1 pila...). Agora, não estou mais perdido... e agora, para onde vou?
Num causo anterior, numa das navegações sem bússola, uma ida a "Plumenau", dei tanta volta para me achar numa cidade tão pequena, que quase perdi uma noite bem agradável de descobertas e sexo. Vide Trança Vermelha.
Não sei fazer grandes explanações sem falar de sexo. Vamos ao mote principal então, deu de rodeio.
Pois então, a moça da trança vermelha. Pensei que não ia dar em mais nada (literalmente). Não sei, tenho tido um bocado de impressões erradas sobre os assuntos mais diversos (nota mental: quando tiver impressão de algo, pense que o contrário é totalmente válido e tem grande probabilidade de ser a impressão correta). O texto cheio de parênteses... talvez mais parênteses do que texto (talvez esteja num momento de muitas reflexões e se minha vida fosse uma história em quadrinhos, os dialógos, quase todos, seriam de frases monossilábicas e de muitos "balõezinho" de pensamento, muitos). Enfim, pensar menos, bemmm menos...
Voltanto, tive uma impressão errada sobre os quereres, e nada que algumas palavras e um pouco de tesão não fizessem os corpos se chocarem novamente. E que belo choque...



Ir desarmado e livre de pudores é a melhor roupa para se vestir para um bom sexo. Fui sem esperar muita coisa. Ambos estavam putos da vida com os seus afetos alheios. Uma noite merecida de prazer era o veneno-remédio necessário para os males do coração.
A pequena diaba estava impecável. Assim que me viu, roubou um beijo quase tímido e abriu um sorriso. Gostei da maneira que me olhou, mostrou que tinha desejo em poucos gestos. Muito prática, muito...
Após algumas voltas, cervejas e encontramos o Vis-à-vis. Lugar acolhedor, muito bem organizado e clean. Quando eu crescer, quero um quarto daquele para mim.
Algumas encoxadas, beijos aqui e ali, a coisa foi esquentando e parecia que a coisa já acontecia a muito. O choque do "corpo estranho" não existia mais. Língua ágil, como uma gata arisca, mordeu e arranhou sem abanar o rabinho (ainda).
Abrimos mais uma cerveja, fofocas em dia e deu de conversa.
Peguei ela pelos cabelos e aproximei do meu sexo. Curto e grosso, sem outros interlúdios. No fundo dos olhos é onde reside a danação. É no ato egoísta de um bom boquete que o homem representa a soberba do falo. Nada mais justifica um fato simples ser o mote de tantos desejos. E há os que digam que uma chupada não é sexo...

Passado o movimento pré-introdutório, parei, olhei os trajes da mocinha bem corpotada, e vi que um registro era necessário. Click... vira, click, click...
A simplicidade dos gestos explica mais do que as vontades, explica principalmente as necessidades. Destas, não podemos fugir. Um tapa, um apertão, um falar baixo de uma putaria qualquer grudado no ouvido ou até mesmo um abraço, nada disso pode ser representado por palavras. Todos os poetas são frustrados porque a palavra nunca atinge o sentido completo do sentir, nunca.
Momento cíclico: o banho. É pura cachorrisse, mas, depois de um certo banho que ganhei, fiquei melancólico com o banhar.
Outro sinal estranho: Ela estava com um perfume que eu conhecia, sabia que cheiro era mas demorei a associar a pessoa. Foi um sinal de mudança.
Resumindo (ou não): Quando novamente?