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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A tristeza natural do domingo



Tenho que confessar a minha insatisfação quanto ao dia chamado domingo. Neste bendito (para não usar outros adjetivos baixos) dia, eu, durante muito tempo descobri os prazeres da vida, seja na forma do almoço de família, ou no namoro de fim de tarde, que o tempo é perdido sem que tomemos conhecimento de qu'ele esteja presente naquele momento, entre amassos e beijos, o nosso Ménage à trois, eu, você e o tempo, tem findo sempre antes quando o tempo vá embora, e quase-segunda-feira deixa de ser domingo.
Quando se tem um amor, e este é vivido, de nada pesa o domingo. Porém, sem um alguém para dividir este dia, todo o peso do mundo é abraçado num sofá ou cama, em que solitário, todo ser de coração mole, tenta incessantemente enganar a solidão. O domingo bate fundo nos sentidos.
Não são as noites de sexta-feira ou sábado que revelam a solidão, são as tardes de domingo. Por isto, o medo deste deserto habitado de fantasmas é o meu drama semanal.

24/01/10

3 comentários:

.:luiza:. disse...

bem dito Jonatan...Bem dito.

E eu, sozinha... ODEIO domingos.

F. Schimanski disse...

Era domingo e você me disse pra ler esse texto, já é segunda-feira e só agora eu o faço. Nunca vi um domingo tão nu e tão bem retratado. Odeio esse dia, mas adorei o texto. Em especial a frase "o nosso Ménage à trois, eu, você e o tempo".

REFÚGIO DOS AMANTES disse...

realmente Jon, vc retrata muito bem as tardes de domingo, a solidão que se apossa, o tormento das horas que custam a passar, enfim é o momento que eu mais detesto na semana... as tardes de domingo.
kelly_{EM}