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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Parco



se porventura lembrar do gosto ácido de meus lábios
não esqueça da dor que te causei
das noites turvas que perdestes a vagar em sonhos
ou do desalento que joguei em teus braços
aquele fardo velho onde guardamos sentimentos, também coração,
é prova contrária de que existe verdade
hipótese e tese em simbiose
ou apenas memórias rotundas fustigadas de desejo
para calar a loucura anunciada
vou poupar, cansei de ser barroco
não quero mais um corpo nu para calar o meu pranto

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A tristeza natural do domingo



Tenho que confessar a minha insatisfação quanto ao dia chamado domingo. Neste bendito (para não usar outros adjetivos baixos) dia, eu, durante muito tempo descobri os prazeres da vida, seja na forma do almoço de família, ou no namoro de fim de tarde, que o tempo é perdido sem que tomemos conhecimento de qu'ele esteja presente naquele momento, entre amassos e beijos, o nosso Ménage à trois, eu, você e o tempo, tem findo sempre antes quando o tempo vá embora, e quase-segunda-feira deixa de ser domingo.
Quando se tem um amor, e este é vivido, de nada pesa o domingo. Porém, sem um alguém para dividir este dia, todo o peso do mundo é abraçado num sofá ou cama, em que solitário, todo ser de coração mole, tenta incessantemente enganar a solidão. O domingo bate fundo nos sentidos.
Não são as noites de sexta-feira ou sábado que revelam a solidão, são as tardes de domingo. Por isto, o medo deste deserto habitado de fantasmas é o meu drama semanal.

24/01/10

La haine du Chat le Mort




Entrei sedento no lugar. Pouca luz, muita fumaça e alguns bêbados segurando o balcão. Precisava apenas de um copo limpo e algo forte para aplacar a minha consciência sobre os últimos fatos ocorridos. Ontem, ano novo, encontro pela quarta e talvez última vez uma antiga amiga e quase-amor. Levei um tapa na minha bondade sem o merecer. É fácil alguém julgar o meu passado e pensar qual a medida o meu mundo tem. Porém, não é fácil enxergar a falta de ganância, o ato de dar sem esperar algo de retorno. Ela, que tanto fala de simplicidade, não soube apenas receber. E eu que pensei que os gatos gostassem de mim.
Apenas um copo de cólera aflora o meu mal, apenas um...

  

domingo, 24 de janeiro de 2010

Perdido

no sul de lugar algum sentei e chorei,  como se lágrimas não fossem suficientes para meu desencanto
longe do que queria, perdido fiquei no meio do não-querer
apenas o vazio envolvendo o que não consigo chamar de "eu"