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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Conto inacabado de um Natal morto

O Arcano XIII do Tarot de Thoth

Enquanto o barman servia mais três doses de uma garrafa comprada de um whisky duvidoso (Jack Daniel's normalmente não tem esse gosto, mas a garrafa estava lacrada...), inicia o monólogo como que para uma platéia.

- Acompanha o meu raciocínio. Sabe porquê este inferno de lugar vive cheio? A gente procura o não-nascer. A buceta é o caminho para aquilo que não devia ter acontecido. Todos querem voltar pro útero, onde não pensavam, não tinham que votar em político corrupto e menos se importar com a porra da família. Olhe para este lugar, pura decadência. Só ficaram as renegadas. Ora, puta não tem família? O que elas fazem aqui na ceia de Natal? Sim, irão ganhar perus sujos e fedidos. Restos de homens decrépitos que não tem outro lugar para estar nesta noite de morte. Natal não é nascimento, é a morte embrulhada com uma fita vermelha. E não podemos esquecer os caminhões da Coca-Cola. Até o Fernando Pessoa é a puta da Coca-Cola. Sempre somos a puta de alguém. Você é a minha puta agora. Escutando calado a minha indignação. Estou fodendo a sua orelha peluda com a minha língua áspera. E quer saber, nem eu sei o motivo da minha indignação. É apenas o vazio que perturba. Mas, se fosse algo cheio, também me importunaria. Talvez seja realmente a da minha consciência. Mas, acompanha o meu raciocínio. Não teria do que reclamar. Tenho a merda de uma cobertura num dos prédios mais caros da cidade, viajo para onde quero e quando quero a todo momento. Tenho tanto dinheiro que poderia comprar agora este lugar no débito ou crédito em qualquer um dos cartões que tenho na minha carteira. Quer ele de presente de Natal? É isto eu preciso pagar para minha puta da noite? Não vou te dar bosta alguma de presente. Nem se você tivesse o melhor boquete abaixo da linha do Equador. Sempre que falo em linha do Equador, lembro daquele episódio dos Simpons falando da força de Coriolis, aquele em que água da patente gira em direções diferentes. Sabe? Você não deve ter tido infância para assistir isto. Mas, é pura mentira. A água da privada gira em qualquer direção. Bullshit! Sabe, acho que o meu problema é que não gosto de pessoas. Todo mundo me dá asco em alguns meses. E olha que eu posso ser bem seletivo nas minhas escolhas. Engraçado, fazem alguns anos que passo o Natal aqui, alias, é o único dia que venho para esta pocilga. Nunca trepei com uma puta daqui. Sempre o mesmo ritual, uma garrafa, um copo limpo e o silêncio. Vejo todo ano as mesmas figuras. Aquela ali sentada de perna cruzada já foi bem mais gostosinha. No segundo ano que vim aqui, até pensei em passar os bagos nela. Não passou de um pensamento, uma paudurecência que mal passou de uma punheta. Olha, já que hoje foi um dia diferente, consegui conversar com alguém, desce uma garrafa do champagne mais caro daqui para cada pessoa que está conosco. Quatro putas. E uma pra você. Vou no banheiro e já volto. Mas, quando voltar, quero todos sorrindo, entendido? Quero te contar algo grande que aconteceu. Dois minutos e já volto.

O barman reúne as putas, conta da sorte delas em ganhar uma garrafa do champagne mais caro da casa, que dava mais ou menos umas três semanas de serviço da melhor puta do recinto. Que era para oferecer sorrisos e todos os agrados possíveis para o moço. Foi enfático em afirmar que pelo menos duas chupassem ele ali mesmo, e que outra fosse fazer uma massagem nos pés dele. afinal ele era o dono da casa hoje. Todas ficaram eufóricas com a sorte do Natal.

Porém, para infortúnio das rameiras e do barman, o homem escorrega e bate com a cabeça na pia. Não tem tempo nem de um último gemido de prazer. Algum tempo depois, três delas, como as Moiras, reprensentaram todo o contínuo da vida dele entre o nascimento e a morte. A puta restante desejou Feliz Natal ao barman com um beijo com gosto de L.A. Cereja.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

As vadias são as outras

Não bastasse as quatro paredes
Ainda lhe faltava um teto
Para cobrir mentiras translúcidas
Com cheiro de Chanel n° 5

Oferecer o peito não é boa metáfora de acolhimento
Quiça, sinônimo de proximidade
Sim, tua arte é fraca
Teus versos nem profundidade têm

Quando a própria mãe adianta
"Olha, esta daqui não presta..."
Não se deve esperar menos
Do que aquilo que é jogado aos pássaros

Não valeu o tratamento de dama
Tão pouco, o de piranha rampeira
Algumas não merecem nem o suor derramado
Muito menos, o romper do gozo

Porém, fica a lição
Como os corações na beira d'água
Três ou quatro ondas, não resta mais nada
O que mar traz fácil e deixa na areia
Logo vem a chuva e carrega embora

Não gosto e talvez não venha mudar de ideia sobre o Bukowski
Mas, ele foi muito rico em oferecer uma frase pra ti
"They thought I had guts but they had it all wrong. I was only frightened of more important things."
Trágico ou cômico, ainda te restou um texto...

Boneca Quase-Assassina

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Boneca atrasada

Quinta-feita, 25 de março de 2010. Final da tarde. Mais um dia qualquer de outros tantos. Uma loira olha a estante de literatura estrangeira. Parece estar perdida. Fato que pouco tempo depois teria total certeza. Ponderava entre atender ela e continuar clicando o mouse em páginas aleatórias sobre livros. Ela parecia aflita por ajuda. Uma abordagem seca e direta. Não gosto de loiras, fato.

- Bem, posso lhe ajudar?

- Olá! Sim sim (grifo meu: odeio pessoas que mexem a cabeça para dizer sim ou não, pior ainda quando fazem o uso repetitivo dessas palavras).

- Procura algum livro específico? Pra você ou presente para alguém?

- Então, estou procurando um livro que não sei o nome e não sei o autor, só sei que tem uma bunda na capa.

- Ficou fácil, História do Olho do Bataille (ergo a mão e faço saltar o livro nos olhos dela... azuis).

- Nossa, como você adivinhou?!?! Você deve ser muito inteligente.

- Nem tanto. É um dos meus autores prediletos, junto com alguns outros do mesmo gênero. E não leio este tipo de literatura por ser inteligente, e sim porque gosto.

- Nossa, que legal!!! (nota mental: ela se surpreende muito fácil). Então, já leu este livro? É bom?

- Como falei, é um dos meus autores prediletos, junto com o Sade, o Pietroforte, e outros na mesma linha erótica e malvada.

- Nossa, como você é inteligente!!! (notal mental 2: agora é o momento exato de fazer valer os meus poderes paranormais e materializar uma ballgag para calar a boca dela...)

- Ter lido meia dúzia de livros sobre o assunto não me torna inteligente, e foi um acaso eu conhecer a capa do livro e você procurar o mesmo. Fiquei curioso com uma coisa, por que procura pelo livro do Bataille?

- Eu faço o curso de Psicologia e houve um comentário sobre o livro numa das aulas. Tive interesse e vim dar uma procurada, além de ter buscado um pouco disso na internet também.

- E como procurou na rede?

- Comecei a conversar com as pessoas em chat's e comunidades do Orkut. Sobre BDSM, mas não consegui achar ninguém aqui da região para conversar (nota mental 3: aonde está a câmera escondida? só pode ser pegadinha do Malandro!). Já ouviu falar disso?

- Por que tu acha que eu leio este tipo de literatura? (forço um sorriso debochado)

- Mentira!!! Nossa!!! Quero ser tua amiga!!! (os olhinhos azuis dela faíscam). Me passa o teu telefone? (oferecida)

- Não é bem assim, mocinha. Vai que você é uma psicopata, ainda mais estudando psicologia. (nota mental 4: flertei com ela, não vai terminar bem...)

- Ora, você é uma pessoa muito inteligente e deve ser muito interessante de conversar. (sei bem que tipo de conversa quer comigo, safadinha!!!)

- Vamos fazer assim, eu pego o teu fone e marcamos de tomar um café ou algo do gênero. Em breve deve ter um encontro do povo por aqui, quem sabe participa e te apresento.

- Existem outras pessoas? (a cara de espanto dela faz com que pareça estar descobrindo a vida inteligente num pedaço de queijo gorgonzola... juro que não é preconceito com as loiras, mas...)

- Sim, o pessoal senta em algum lugar e conversa sobre. Nada fantástico, apenas pessoas com interesses comuns.

- Puxa, que legal!!! Vou falar com o meu namorado e perguntar se ele não quer ir comigo também. (rá, tinha que ter um brinde junto...)

- E ele sabe que tem interesse nessas coisas? Não seja hipócrita em dizer que tua "pesquisa" tem caráter acadêmico.

- Bem, eu já tentei algumas coisas, mas não deu muito certo. Na verdade, ainda não sei bem o que quero pra mim. Estar com ele talvez seja cômodo, gosto dele, mas não tem aquele fogo. (ela faz uma carinha de triste, tenho vontade de botar no colo e dizer "vem aqui, eu te mostro o que é bom...")

- ...

- Está ficando tarde, tenho que ir.

- Ligo te avisando do encontro do pessoal assim que tiver. E o livro, não vai levar?

- Não não, hoje estou sem muito dinheiro. (ela nem perguntou o preço do livro...)

(Lapso de alguns dias)

- Alô, XXXXXXX (sim, não vou dar nome para a inocente). Como vai?

- Oi, Jonjon (que porra de intimidade que nunca dei pra ela estar usando?!?!?). Saudade de ti!!! Falei de ti para todo mundo, (sim, ela parece mesmo uma psicopata) de como é inteligente, e bonito. (pera aí, este elemento é novo no discurso dela...) Estou louca para o encontro do pessoal. (estar é muito diferente de ser? Cadê o meu medidor de insanos?)

- Olha, é justamente por isto que estou te ligando. Irá acontecer no sábado próximo, ali no Capitão Gourmet, na Trindade. Sabe onde fica?

- Não, mas se me explicar como chegar, eu apareço lá.

- Posso te dar um carona, se for o caso. Onde posso te pegar? (todas as segundas, terceiras e demais intenções presentes no sentido, na pergunta)

- Eu devo estar na casa do meu namorado. Ele já disse que não quer conhecer este povo estranho. Fica ali na Beira-mar Norte. É muito longe do local?

- Não, bem próximo. O pessoal vai estar lá às 20h, mas gostaria de conversar antes contigo.

- Ótimo!!! Assim, me fala um pouco sobre as pessoas e podemos nos conhecer melhor. No outro dia queria te perguntar tanta coisa, mas tive que ir embora. Mas, ando pensando muito em ti. (safadinha!!!)

- Combinado então.

(Lapso de mais alguns dias)

- Escuta, estou saindo de casa agora. Em 15 minutos estou na Beira-mar. Onde te pego? (sim, ainda com a piadinha infame)

- Vou me atrasar um pouco, ainda não estou na casa dele. (como assim? além de se atrasar, ainda vai passar na casa do futuro corno? hora de ponderar em abortar o plano)

- Olha, se ficar ruim, pode ir outro dia. Conversamos também outra hora.

- Não, não e não. Quero muito ir. O puto do meu namorado que resolveu ficar com ciúmes. É um tapado. Vou só dizer algumas palavras para ele e pode me buscar às 19h, ali na frente do Mac. (agora, ela pensa que eu sou taxi... vai custar bem caro, se vai!!!)

- Odeio esperar, mocinha. Vai ter que pagar uma prenda. (mostrando os dentes)

- Desculpa, faço o que quiser. (ela não tem a mínima noção do que acaba de falar)

- Dada a tua afirmação, vou pensar em como te castigar.

- Jonjon é malvado!!! (nem imagina como...)

(vou para o lugar combinado e aguardo tramando...)

Ela aparece. Namorado à tiracolo. Numa bicicleta e sem camisa. Depois ela não sabe o porquê de não ter interesse sexual nele. Um beijo para marcar a presa. Beijo de Judas.

- Sabe que está atrasada mais de 15 minutos, mocinha. Já estava indo embora. (faço cara de malvado e olho para ela)

- Puxa, mil desculpas. Faço qualquer coisa para me desculpar. (ideia fixa dela em fazer o que eu mandar... bom)

- Vai voltar para a casa dele depois? Espero que ele não se importe em ter o gosto de outro... (ela faz uma cara de espanto como se não soubesse das minhas intenções)

- Não sei o que dizer...

- Não diga nada. Até o final da noite, sou eu quem manda.

O povo ao redor da mesa é o mesmo. Ela é a exótica. Fica pasma e encantada com a maioria das coisas que são faladas. Mocinha ingênua. As devidas despedidas, levo ela para um lugar mais calmo.

- Bem, a mocinha comentou que gostaria de ter uma vida com mais aventuras. Hoje sou a tua aventura.

Nisto, aponto para minha braguilha. Ela sabe o que deve fazer. Mantêm o ar cândido, mas, vejo o fogo crescer nos seus olhos, apesar da baixa luz. Passo a mão nos cabelos dela, hesita um tanto. Mais firmeza e ela logo se entrega. Esfrego a cabeça dela na calça sobre o meu sexo. Reluta, finge não querer. Depois de algum tempo neste movimento obtuso, abre vorazmente qualquer coisa entre meu sexo e ela, e me engole por inteiro. Não imaginava que uma boca tão pequena como aquela, conseguiria fazer algo tão profundo. Ávida e sedenta, quase arranca meu gozo em alguns momentos.

- Calma, mocinha. Não é para arrancar ele fora, não é teu e não tem apenas esta função. Está toda babada. Gosto disto. Bem, por ter sido muito irresponsável com as horas, hoje vai ficar sem qualquer outro prazer, além de me servir de prazer. Agora, pode me consumir.

Com mais gana ainda, suga qualquer seiva possível do meu falo. Não deixo ela se limpar. Terá que ficar suja até chegar onde deve ir.

- Então, para a casa dele ou a tua casa?

- Não posso me limpar mesmo? (ela ainda tem dúvida do que eu disse)

- A pergunta quem fez fui eu. Para onde?

- Pode me levar para casa, por favor.

- Hoje foi só um pedaço do que tenho em mente. É bom largar daquele que tu chama de namorado. Ele não te dá o que merece e muito menos o que precisa.

- Vou fazer isso o mais rápido possível. Quero ser tua.

Qualquer semelhança com a Boneca Polly é mera coincidência 

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Não mais

Não vou mais brincar de amar
Muito menos me perder noutros braços
Deixei de acreditar que alguém conseguisse achar o caminho do meu coração
De tanto baterem nele, descobriu que sua proteção era o silêncio
"Não vou deixar que me ouçam bater... "
Mas, ele não sabe resistir a sorrisos
É o seu defeito mortal

Sobre a morte e os morreres, meu amor foi natimorto

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A arte de roubar sorrisos

Faz algum tempo que volta e meia solto a seguinte fala: "O que importa é roubar sorrisos...". De fato, não é a essência do furtar ou o resplendor de um belo sorriso que compõe o centro dessa frase tão simples e pueril. É no breve desprendimento o âmago do dito.

Mesmo que não goste de mim, gostei muito de roubar teu sorriso.

Você já tem tantas poemas e canções, que mais um pode parecer banal. Porém, digo, te esconde em meus braços, que eu te protejo do mundo. Não quero apenas amigo, ou quem sabe, amante. Quero tudo que pode me oferecer, pois não me contento com pouco. Talvez, um tanto afoito, mas, não menos consciente.

Espanta os teus fantasmas, que não precisa mais de terror nas tuas histórias.

Quero você do meu lado, ou isto ainda não ficou bem claro?

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Breviário Obsceno II

Um breve parênteses antes do Breviário... Esta continuação que segue abaixo não é apenas de minha autoria. É um texto de 4 mãos e outras muitas partes. Obrigado Mariana, aonde você estiver. Ci vediamo... 

Isso não é uma gag!


Arrasto a pequena vênus alguns quarteirões até minha singela alcova. A bruxa, que outrora se chamava sacerdotisa, agora também posso chamar de matreira, esperava impecável como nunca antes seu (eu) dono das vontades. Ela se surpreende com a pequena vênus careca e toda furada. Sabia de longe que aquele não era o meu tipo de mulher. Pequena, franzina e de traços apagados, era a antítese dos meus desejos, era a antinomia do corpo opulento que minha (ela) companheira ideal.

- É essa daí a que tu trazes para casa?

Ergui o braço e com as costas da mão direita, como um maestro demonstrando um fortíssimo que rompe o silêncio, o tapa seco fez brotar o sangue do canto da boca da bruxa.

- Minhas orientações não parecem ter sido claras quanto a hospitalidade que tem que tratar nossa convidada. O tom de voz não é esse e muito menos a frase de boas vindas. Beije cordialmente nossa convidada, ela tem um presente para você.

Entre fluidos brancos e rubros, um beijo doce quase aplaca a pungência dos olhares.

Aquela mistura de líquidos, me fez querer sentir o sabor em junção com as salivas de dois seres tão desavindos. Não hesitei, já que um desses mesmos líquidos, era meu e os outros seriam, por consequência.

A bruxa, no meio do ato, fez-se de rogada, já que em seu âmago sentira que não era única, mesmo eu tendo esclarecido que nunca seria.

- Deixarei vocês a sós. Não vejo o porquê de continuar com isso, já que conheço o gosto de cada gota do seu sêmen.

- Você não tem opção, minha querida tunante. Escondeu as cartas que esta desusada criatura remeteu a mim.

Após enlaçar seus cabelos e apertá-la contra a parede, ela me fitava vociferando por dentro ao sentir meu hálito sedento por sua redenção. E a vadia, num ato de motejo, ousou cuspir em nossa convidada, que por sua vez, apenas abriu a boca gracejamente, sorvendo tantos fluídos ali contidos.

- Não vejo outra alternativa a não ser imobilizar-te, minha cara puta funesta.

- Não hei de titubear, calhorda. Mas saiba que é  contragosto que lhe servirei por esta ou pelas possíveis outras noites que quiçá, esta energúmena ficará por aqui, em nossa morada.

- Vejo que terei de providenciar duas mordaças.

A estranha figura estava a observar, aproximou-se como num desmedido feito de remoque, dirigindo-se a ela, comprimida na parede e sem que eu pudesse dar tempo fosse para impedir, fosse para permitir, mergulhou sua pequena e magra mão por debaixo do vestido de veludo escarlate da bruxa, presa por minhas fortes mãos na parede.

- Não a conceda que faça isso comigo - suplicou a mim, quase lacrimejando.

- Bem sabes que esse seu quase lacrimejar me deixa mais excitado, rameira.

Alcançando as cordas, amarrei seus braços para cima de sua cabeça e pendurei-a num gancho, sem tirar seus pés de salto do chão, também atados, porém, bem separados.

- Ficarás assim por ocultar cartas alheias, pelo tempo que eu achar necessário.

A pequena, não parava de tocá-la, parecia encantada com sua boceta, que mesmo em oposição, gotejava arrebatada.

 - Permite que eu a deguste, Senhor?

Empurrando sua cabeça em direção aquilo que já estava em sua frente, deixei-a sentir o gosto de minha bruxa.

Meu falo intumescia e de súbito, meti entre os lábios da pequena e a boceta de minha bruxa, que se contorcia a espera de um beijo meu. E o teve, mas não sem uma mordida que me fez sentir o sabor que eu tanto gostava nela.

- Percebo que estás sucumbindo de desejos. Quer me pedir algo? Vejo que estás um tanto afoita...

- Solte-me que te mostrarei o que quero.

Soltando uma gargalhada nociva, arranquei a pequena putinha de entre suas pernas e rasguei seus trajes, gentilmente sobrepostos para mim.

- Havia me dito que precisava sentir minha fúria e toda minha gana de homem rompendo essa sua vidinha sem sentido e sem gosto. Se é gosto que tu queres, ajoelha-te e abra a boca, cadela!

Obedecendo-me prontamente, apontei meu falo urinoso e fez-se um jato forte e quente na sua face.

A bruxa, sem ter outra escolha, assistia ao "espetáculo" e suas expressões eram daquelas de fazer pena, pr'aqueles que sentem isso.

Em meio a odores e confluências, a pequena puta se desfaz no mesmo instante de refeita. Tão bizarra e tão úmida, tão entregue as ditas fealdades sobrepujadas de nós, humanos.

Abro um parêntese em minha cabeça no meio de tal ato para extrair alguma conclusão de minhas teses. Tese esta, que se instaura em breves artigos antimorais. Noto que não existe praticamente nada considerado de bom grado quando se trata de moralidade. Não há como controlar uma ereção (não que isso fosse minha vontade) ao ver um ser trôpego de desejos aos meus pés, implorando por mais desonras.

Fui pego de surpresa pelo olhar da bruxa, que nada tinha de titubeante, desatinamente certeiro ao invadir meus pensamentos. Cretina mulher que por vezes não se deixava surpreender pelos mesmos!

Ter alguém ali, servida como um cordeiro que não resiste aos desalinhos ocasionados pelo fato de ser presa, me deixava um tanto mordaz. Contudo, a bruxa que estava ali, privada de movimentos, me fazia sentir um menear subconsciente, que sintonizava com o que ela sabia que era meu ponto brando, sem nunca ter dito a ela. Na verdade, eu mesmo nunca conseguirei expor em palavras.

Uma olhadela que inspirava como um açoite para a putinha que se rastejava às minhas solas, fez com que ela se debruçasse no vão entre minha razão e a minha sagacidade de macho, amedrontando-a.

- Ponha-se de pé. Quantas perfurações há nesse corpo! Vamos, arranque esse do mamilo esquerdo.

- Não posso fazer isso!

- Pode fazer sim, isso é uma ordem!

- Não consigo, doerá mais do que quando furei.

- Dor? Você tem medo de dor? Rá!

Com um alicate em mãos, puxo de uma só fez aquela argola pendurada em seu peito, que se perde no chão em meio ao sangue da garota. Lágrimas e mais lágrimas, não me comovem. Encosto aquele corpo magro num lugar apoiável e constato a falta de lubrificação.

- Vá, sente-se e arraste-se naquela poça e volte aqui. Não ouse dizer qualquer palavra.

Submissamente cabisbaixa, apoia-se, e me oferece um rabo carmim.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Amor-perfeito

Nem todo amor é uma flor
Pois todas as flores são belas
Mesmo com espinhos e galhos
Ou secas sobre rios de lágrimas

E nem toda flor é amor-perfeito
Pois há os que gostam de rosas
Lírios, gérberas ou jasmins

Porém o meu amor é uma flor
E não é uma flor roxa(claro que é)
Que nasce no coração de um trouxa

Meu amor é uma flor de amor-perfeito
Pequena e doce que floresce
Numa bela manhã fria de inverno

31/01/06

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Morte do Pierrot

Claro que não vale o esforço de ir a Grécia e revolver o túmulo perdido de Crátilo. Isso de nada resolveria a contenda sobre a essência das coisas e seus nomes. Poderia se chamar Tereza, aquela que o Jorge Ben Jor tanto procurava ou a moça que Tomas vela o sono em Insustentável Leveza do Ser. Poderia se chamar Cristina, quase messiânica, tão esperada para salvar os pobres de coração. Ou até mesmo se chamar Augusta, pois se até a bandeira tem no seu hino "salve o símbolo augusto da paz", por que o meu conto não pode ter um elemento máximo?

Logo, divagações de lado, vamos ao nosso mainstream. A nossa messalina de hoje será chamada, genericamente, de Colombina. Nem está perto do natal e venho com essa alegoria tão ilustre, presente nas marchinhas de diversos carnavais. Pois, o carnaval não acaba na quarta-feira, e de cinzas, todos somos imundos. Mas, por quê?

A estória de mais uma déspota, mais uma Wanda, aqui, Colombina. Na versão moderna, não existe apenas um Arlequim, mas toda uma horda deles. A mulher inteligente é aquela que não corta os vínculos com aqueles que lhe são útil, mantendo uma pequena anel de homens a sua volta. Como numa ciranda, em que ela fosse o ponto central, onde cada desejo desses Arlequins é uma força centrífuga que escoa para ela. E que o controle dela sobre cada um é uma força tem direção contrária e totalmente maior (maldita centrípeda).

Uma vez, algo raro cruza o caminho da Colombina. Pierrot, quase como o Dodô, havia sumido do mapa do IBGE. Ninguém mais gosta da forma ingênua como ele. É o palhaço triste, que aprendeu a rir dos seus infortúnios Um certo "pseudo-poeta" disse: "Triste agouro calado/ Aquele que pinta uma lágrima na face/ Porque sabe que sempre botaram/ No meu circo, o palhaço sou eu". Talvez ele fosse um projeto de Pierrot, ou quem sabe um adormecido. 

Depois de negar tanto para si mesmo, o Pierrot decidiu que abriria seu coração mais uma vez para a Colombina. Não aquela mesma Colombina, mas é aquele tipo de mulher, inteligênte e astuta, que o bendito gosta de dedicar seus quereres. 

Idas e vindas, cada dia o Pierrot tentava sufocar mais a Colombina dentro do seu peito. Não queria que ela tomasse conta do seu âmago, das suas vontades. Pierrot é sem medida, viceral e auto-destrutivo. Tolo Pierrot... Acho que ele nunca foi num baile de carnaval e escutou que a Colombina sempre acaba nos braços do infinito Arlequim.

O Pierrot puxa do bolso uma carta do Tarot de Marselha, e mais uma vez O Louco dá o seu caminho aos passos do eterno viajante. É o Arcano Maior Zero. É o cão que late para salvar do precipício. É a beleza que serve de embuste para a natureza. Moral história: cuidado com as borboletas, o abismo sempre está próximo.

Como deixar viver o pobre Pierrot? Ele, agoniza mas não morre, porém, ninguém lhe socorre. Suspiros, não existe algo depois do derradeiro. O jeito mais humano é o sacrifício, como quando um cavalo quebra a perna. Pierrot de coração doente, não tem jeito. É totalmente demente.

O triângulo Arlequim, Colombina e Pierrot é mote antigo, quase tão imemorável quanto o próprio desejo, quanto o próprio sexo. Mas, a Colombina é sempre soberana no seu território.

Resta saber se a morte do Pierrot será um suplício pela sua ingenuidade ou se foi apenas pura perfídia da mulher-inteligente.

Noutro dia, achava que precisava apenas de beijos e abraços. Hoje sabe que não basta mais apenas o amor. É preciso dar ao corpo o fogo que ele necessita. 

O que importa é roubar sorrisos. Pobre palhaço...
 

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Breviário Obsceno I

Acho eu que a maioria das pessoas saudáveis tem um pequeno (talvez, nem tanto) conjunto de seres que tem morada íntima nos nossos desejos mais ímpios. Seja aquela professora que nunca deixou de fazer parte das horas de masturbação na recente adolescência ou aquela atriz que povoa os nossos sonhos polutosos. Enfim, cada qual tem sua lista de obscenidades diretamente ligada a personagens de um micro-universo anacrônico, no qual elementos da realidade são apenas adereços e tudo parece fazer parte de um filme pornô dirigido pelo David Lynch ou Tarantino.

Vou começar meu pequeno Breviário Obsceno com duas "musas" distantes, mas não menos presentes nas minhas fantasias. Como fatos da realidade podem estar salpicados nos meus desejos, não posso dar nome as inocentes, mas, devidas características trarão elas a tona.


Pequena vênus amordaçada e Voluptuosa empalada



A pequena vênus, quase steampunk, careca e cheia de perfurações no corpo me seguia mais uma vez na volta do trabalho. Nunca puxava assunto, apenas me seguia na distância curta de alguns passos. Praticamente, uma cadela de guarda. Ficava um tanto assustado no começo, mas, nada próximo de um metro e meio podia fazer medo em mim. Acabei achando agradável a fiel companhia no caminho do nascer dos novos dias. Sempre ia para cama, quando o resto do mundo se levantava.
Em casa, mais uma vez, minha sacerdotisa. Cheia de magias e rituais. Bruxa nova da velha escola. Conhecimento sempre me atraiu, mas, nela tinha todos os desejos e possibilidades condensados num corpo voluptuoso e sedento por luxúria. Não cansava de descobrir novas facetas nela, enfim, alimentava uma paixão que me consumia por inteiro.
Na cama quente, como um gato que salta sobre a presa, voei no por trás dela e cravei meus dentes na pele branca que tanto adorava ver manchada de vermelho. Ela adorava quando sentia o gosto do seu sangue na minha boca e não poupava agrados para ela. Tolamente apaixonados, isso sim.
Feitas as devidas honras da minha chegada, uma sessão de lambidas, a alva felina brindava o meu corpo, introduzi um assunto que um tanto me instigava.
- Sabe aquela pequena que vive a me seguir no caminho para casa? Irá se deitar conosco amanhã. Talvez seja nossa hospede ou escrava por algum tempo. Tenho certa admiração pela dedicação silenciosa que tem por mim. Amanhã esteja preparada com traje de gala. O final de semana será longo.
- Mas, assim do nada? Ela nunca te dirigiu uma palavra e joga ela assim no nosso leito? Não te sou mais suficiente? Por acaso não te agrada mais o meu corpo? Posso ir embora se quiser e você ficar a só com ela. Além disso, não sei se suporto ver outra pessoa ter a tua atenção além de mim...
- Tola e ciumenta! Bem por isso é que ela vai se deitar conosco. Tudo o que não tem movimento, não presta para mim. Sou muito feliz com a tua companhia e teu zelo por mim, mas, não gosto de tempos de paz. Sou homem da guerra e apenas a destruição da movimento a minha alma. Só te libertando desse apego monogâmico da minha posse para realmente usufrir da verdadeira luxúria.
- Vejo que não tenho opção...
- Algum dia teve outra opção comigo se não a de ir embora?
- Odeio como me convence com a tua maldita lógica!
- Odeia nada... Tudo embuste para ver se sinto pena de ti. Como disse, é uma tola mesmo que vive a me testar. O que é teu, tá guardado... Uma indicação importante para amanhã. Não pode de maneira alguma estragar a visita da pequena vênus. Isso inclui não envenenar ela ou inviabilizar a consciência dela. Terminantemente proibida de usar qualquer tipo de magia contra ela. Espero que não reste dúvidas sobre ela ser benvinda aqui o tempo que eu determinar.
- Tu é um filho da puta mesmo... Prevê cada movimento meu. E ainda depois vem me chamar de bruxa... Só pode ler a minha cabeça e eu nem notar.
- Quem te viu e quem te vê... Era uma dama que não ousava falar palavras de baixo calão, e agora até sabe me xingar. Como sou uma má influência. Pobre menina que vira piranha...
- Abusado! A merda disso tudo é que sou totalmente dependente de você. Alias, eu era uma mulher que nunca precisou de um homem para se sentir inteira. Contigo, parece que sou tão pequena e desamparada. Maldito és tu que me tens por inteiro, maldito!
- Amém! Agora, deixa eu dormir que a noite próxima vai ser longa...

Levantei um tanto mais cedo, nem era noite ainda. Fui de costume para o meu pub/café/livraria/sebo. Decidi fechar um pouco mais cedo devido os fatos seguintes. Sabia exatamente onde a pequena me esperava e tomei o lugar dela antes que chegasse. Coloquei um sobretudo negro que me camuflou ainda mais no ambiente escuro. Uma abordagem sorrateira tirou um curto grito da pequena... Então, corto o silêncio que confunde nossos olhares.

- Sei exatamente o que quer comigo. Você veio especialmente bonita prevendo que hoje a noite não será apenas me seguindo até minha casa. Hoje, você entra comigo e conhecer a minha alcova...
- Tua "mulher" ligou para mim e pediu que eu estivesse preparada para você.
- Como ela te ligou se nunca nos falamos?
- Deixei algumas cartas embaixo da tua porta. Sempre com referências minhas e declarando minhas vontades de ser tua. Você não lembra de mim, mas te conheço a um bom tempo. Vendeu para mim o maior tesouro que tenho hoje. Um livro que mudou a minha vida e a minha visão de mundo. Lembro exatamente o dia em que pedi um romance água-com-açucar e me deu A vênus das peles e olhou fundo nos meus olhos e disse "Se pretende ter emoções fortes, leia esse livro...". Aquilo me marcou profundamente. Nunca ninguém tinha me oferecido algo parecido. Mesmo não sendo você o autor do livro, cada palavra dele era dita com a tua voz na minha cabeça. Li o livro umas 5 vezes seguidas só para a tua voz não parasse de ecoar na minha cabeça... Foi doentia a forma como entrou em mim e me corroeu inteira. Mas, hoje vejo que não tenho outra opção além de ser tua...
- Adolescente apaixonada pelo Edward do Crepúsculo, sabe o que quer dizer "ser tua"?
- Acha que sou estúpida de chegar perto de alguém como você e não saber isso?
- Calma, pequena Sininho. Deixa eu ligar os pontinhos e ver se entendi. Faz algum tempo que declara que quer ser minha em cartas deixadas embaixo da minha porta, porém nunca li nenhuma delas. Acho que a minha bruxa anda escondendo elas de mim. Bem, agora ela conseguiu me deixar furioso. E se queria comunicar isso para mim, por que nunca entregou ela nas minhas mãos? Acha que precisa ter apenas os olhos baixos para servir? Se não olhar para frente também nunca vai conseguir alguém que te respeite-abusando. Bem, como a situação já foi previamente estabelecida, até mesmo pela bruxa manipuladora que tenho em casa, não me resta outra opção que não seja a te oferecer repouso.
- Apenas isso?
- Perdi o tesão...
- Não creio!
- ...
- Não me quer? Não me acha atraente? Sei que sou um tanto exótica assim careca, com meus diversos piercing's, e te seguindo assim tão insanamente durante tanto tempo sem trocar palavra alguma contigo. Por favor... Preciso de você. Preciso sentir tua fúria e toda a tua gana de homem rompendo minha vida sem sentido e sem gosto. Você me mostrou um mundo diferente e agora me priva de usufrir dele? Isso é muito injusto...
- Você fala demais para uma mocinha que era tão calada. Acho que uma mordaça vai te cair um bocado bem...

Nesse momento, meu sexo lateja no contato da pequena mão a roçar a calça jeans mais do que rota. Sou obrigado pelos meus desejos a abrir a calça e expor o falo para a degustação pública. Ela experimenta meu gosto suado e forte de mais uma noite de trabalho e nem se aflinge. O apetite dela me assusta. Tão pequena e tão explosiva. Após algumas golfadas, a pequena putinha arranca um gozo breve e pastoso. Ela prontamente exibe o conteúdo da boca para mim esperando aprovação para engolir, mas logo respondo.

- Não cuspa e nem engula. Segure na boca. Isso vai manter a tua boca calada. Quando chegar a minha casa irá beijar a bruxa e dar minha seiva para ela.

Ela simplesmente responde "Urrum" guturalmente.

 

domingo, 4 de julho de 2010

The dot i

Das infinitas línguas que falamos, nenhuma delas é capaz expressar o que queremos de fato comunicar. Por exemplo, como descrever aquele sentimento de total previsibilidade das pessoas em relação ao prazer? Não me julgo capaz de concatenar, nem com versos dodecassílabos, nas gaiolas chamadas palavras, algum sentido para esse particular sentir.
O lugar onde vivem as palavras é um conjunto vazio, em que todas são desprovidas de significado. Nesse léxicus universalis, onde cada significante é uma massa sem forma, cheia de buracos desprovidos de borda, todos os nomes são iguais e diferentes ao mesmo tempo. O significado é único: não o ter.
Ando pseudo-filósofo demais, causa tal fornecida por uma sweet little Joanna.

Lembrando que nem tudo pode ser traduzido, me caiu esta frase no colo


"Un baiser c'est le point sur la 'i' du mot aimer."

Um velho deitado... sempre com novo significado. Até tu, Freud? 

domingo, 20 de junho de 2010

Síncope do samba (a) três

Mais uma vez Lúcia sente algo úmido entre as coxas. Sinestesia daquele maldito cheiro que a tirava do sério. Aquele perfume tinha cor, passava de 1,80 m e calçava sempre sapatos muito bem engraxados. Nem Grenouille saberia descrever tão bem um simples aroma.

A mesma mesa, o meio sorriso e o café expresso puro. Era o ritual dele, em que ela fazia questão de participar. Após algumas semanas, até aprenderá o seu nome. Lúcia, nunca ela gostara tanto de ouvir seu nome. Mas algo a incomodava na figura dele.

Bonito, alguns cabelos brancos e nenhum anel no dedo. Ou era um solteiro convicto, o que pra ela pouco importava, ou não gostava de mulheres. De tempos em tempos trazia algum novo "garoto" para sentar a mesa. Sempre mais novos. Queria ela sentar a mesa e lhe fazer perguntas.

Porém, as perguntas pouco importariam pra calar o seu desejo. Queria apenas ele, por inteiro e vibrando. Cada vez mais forte, ela já traçava um plano para uma abordagem certeira, que sabia muito bem nunca executar.

Ele levanta e arrasta seu mancebo em direção ao lavabo. Momento perfeito para ela descobrir tudo sobre ele. Ousados, entram aos beijos no comodo vazio aquela hora do dia. A calça dele logo fica nos joelhos enquanto o membro golpeia a face do rebento.

Lúcia totalmente sem luz, rompe a porta e o seu pudor. Aquela felação febril só abriu as portas da sua percepção. Ambos girando numa espiral de prazer, nem percebem ela sentar na pia gelada e se masturbar freneticamente inúmeras vezes.

Após um jato fundo, escuta um gemido que não o seu. Recobra os sentidos despidos de volúpia do pós-gozo. Observa que estão sozinhos no ambiente. Mas, logo a frente, na pia encontra um crachá com o nome Lúcia.

Ela corre pela porta dos fundos sem dar nenhuma satisfação pra alguém. Amanhã pede as contas e arranja outro trabalho. Tem medo dos desejos que não consegue controlar, principalmente os seus.




terça-feira, 15 de junho de 2010

Agora, com GPS

Tenho um sério problema com localização. Andar por uma rua que não conheço e voltar por ela apenas dando meia-volta, é dar uma volta completa num lugar totalmente exótico, é puro caos para mim. Quer ver pavor tenho de estacionamento de shopping centre. Já tive a extrema capacidade de pagar o estacionamento, perder o tempo de limite para a saída e ter que voltar no guichê e explicar a triste história de "esqueci onde está o meu carro". Para os perdidos, a humanidade criou o GPS. E não me venha com a piadinha "Garota de Programa Special" (reparem na classe do Special). Todo homem tem um tanto de desbravador e precisa navegar por mares nunca d'antes navegados (nem que seja atrevessar a ponte e conhecer a Palhoça da forma mais rústica numa enchente qualquer). Querendo ou não é a necessidade de expandir seu micro-império e aumentar seus domínios. Divide et impera. Convencido de que precisava não me perder mais, troquei meu celular velho por um modelo novo com GPS, pela bagatela de R$ 1,00 (claro, tem toda a amortização no valor no plano de fidelização com a operadora, mas, não compro mais nem uma Coca de garrafa por 1 pila...). Agora, não estou mais perdido... e agora, para onde vou?
Num causo anterior, numa das navegações sem bússola, uma ida a "Plumenau", dei tanta volta para me achar numa cidade tão pequena, que quase perdi uma noite bem agradável de descobertas e sexo. Vide Trança Vermelha.
Não sei fazer grandes explanações sem falar de sexo. Vamos ao mote principal então, deu de rodeio.
Pois então, a moça da trança vermelha. Pensei que não ia dar em mais nada (literalmente). Não sei, tenho tido um bocado de impressões erradas sobre os assuntos mais diversos (nota mental: quando tiver impressão de algo, pense que o contrário é totalmente válido e tem grande probabilidade de ser a impressão correta). O texto cheio de parênteses... talvez mais parênteses do que texto (talvez esteja num momento de muitas reflexões e se minha vida fosse uma história em quadrinhos, os dialógos, quase todos, seriam de frases monossilábicas e de muitos "balõezinho" de pensamento, muitos). Enfim, pensar menos, bemmm menos...
Voltanto, tive uma impressão errada sobre os quereres, e nada que algumas palavras e um pouco de tesão não fizessem os corpos se chocarem novamente. E que belo choque...



Ir desarmado e livre de pudores é a melhor roupa para se vestir para um bom sexo. Fui sem esperar muita coisa. Ambos estavam putos da vida com os seus afetos alheios. Uma noite merecida de prazer era o veneno-remédio necessário para os males do coração.
A pequena diaba estava impecável. Assim que me viu, roubou um beijo quase tímido e abriu um sorriso. Gostei da maneira que me olhou, mostrou que tinha desejo em poucos gestos. Muito prática, muito...
Após algumas voltas, cervejas e encontramos o Vis-à-vis. Lugar acolhedor, muito bem organizado e clean. Quando eu crescer, quero um quarto daquele para mim.
Algumas encoxadas, beijos aqui e ali, a coisa foi esquentando e parecia que a coisa já acontecia a muito. O choque do "corpo estranho" não existia mais. Língua ágil, como uma gata arisca, mordeu e arranhou sem abanar o rabinho (ainda).
Abrimos mais uma cerveja, fofocas em dia e deu de conversa.
Peguei ela pelos cabelos e aproximei do meu sexo. Curto e grosso, sem outros interlúdios. No fundo dos olhos é onde reside a danação. É no ato egoísta de um bom boquete que o homem representa a soberba do falo. Nada mais justifica um fato simples ser o mote de tantos desejos. E há os que digam que uma chupada não é sexo...

Passado o movimento pré-introdutório, parei, olhei os trajes da mocinha bem corpotada, e vi que um registro era necessário. Click... vira, click, click...
A simplicidade dos gestos explica mais do que as vontades, explica principalmente as necessidades. Destas, não podemos fugir. Um tapa, um apertão, um falar baixo de uma putaria qualquer grudado no ouvido ou até mesmo um abraço, nada disso pode ser representado por palavras. Todos os poetas são frustrados porque a palavra nunca atinge o sentido completo do sentir, nunca.
Momento cíclico: o banho. É pura cachorrisse, mas, depois de um certo banho que ganhei, fiquei melancólico com o banhar.
Outro sinal estranho: Ela estava com um perfume que eu conhecia, sabia que cheiro era mas demorei a associar a pessoa. Foi um sinal de mudança.
Resumindo (ou não): Quando novamente?

domingo, 18 de abril de 2010

Menos um

Hoje não tenho "Unbirthday Party" para mim. Menos um que vai, talvez outro que vem. Definitivamente, não gosto dele. Talvez seja por conta das esperanças perdidas ou das realidades adquiridas, talvez, Peter Pan. Nunca, tudo, nada ou sempre, isto é o que aprendi a não-dizer ou "despronunciar".

Sem muitas palavras...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Marcas de sangue

Num canto o gramofone do tipo "colecionador-ultra-luxo", um B-side com "Is you is or is you ain't my baby?" canta uma melodia lenta que faz o tempo diminuir o seu fluxo. Uma luz, vermelha e simples, indica o que um dia talvez foi chamado de cama. O ambiente era requintado, algo próximo a um quarto-ateliê, com uma bela janela opulenta, aberta, que banhava tudo com o aroma das damas-da-noite. Em oposição ao leve rasgar da agulha no disco de 78 rotações, uma respiração sinaliza um manequim-arfante. Entre o sono e a exaustão, aquilo que era um corpo, era mantido com os joelhos ao solo, pés amarrados um tanto suspensos e a mãos erguidas por cordas atreladas n'algumas argolas e roldanas. Realmente, era um desnudado manequim imóvel. Passava pouco da hora grande, quando da porta que dava acesso ao cômodo, um vulto entra pisando forte, rompendo todos os compassos da música, inclusive os passados. Com um copo d´água na mão, ergue suave a cabeça da moça, um gole ou dois, o resto todo voa na cara. O tapa sempre parece ter mais pressão com a pele úmida. Tem que molhar o couro para poder esticar, é assim que funciona. Olhos profundos extremamente borrados, com eles, encontra as botas. "Sempre de olho nelas", ele sempre repetia. Talvez por vaidade, ou por pura maldade, ela só conhecia os olhos dele na luz do dia. Num quadro-bancada, cada instrumento tinha seu lugar marcado pelo contorno próprio. Uma oficina de tortura ou um laboratório de prazeres, tanto faz...
Ele pega um chicote bem equilibrado. Um cat o' nine tails feito sob medida para a sua mão. Não seria a primeira seqüência de lambidas que "le petit chat" faria na noite. Liga um pequeno holofote direcionado as costas dela. Outra luz estroboscópica pisca na direção que aponta o rosto dela. O novo ritmo é de 17 batidas/piscadas/chibatadas por minuto (aqui podemos usar o termo homônimo BPM). Ele gostava de quadrados... 17 minutos de 17 batidas... 289 é um número bonito para o final da noite. Alguns fios de sangue tingem as caldas, assim como o fim das costas da pequena vênus que é massacrada. Roldanas soltas, ela se joga aos pés dele. Lambe vorazmente suas botas, como se daquilo dependesse sua vida. Apenas um tapa é dado com as costas da mão e um comando "Quieta!" cessa a ovação. Ele arrasta ela pelos cabelos no piso de madeira bem encerado. Beirada da cama, mão cobrindo os próprios olhos, ela sabia mais do que ninguém o que devia esperar. Ela tinha que salivar e sufocar avidamente com o membro no fundo da sua garganta para saciar a gana dele. Quase meia hora depois, e praticamente desidratada, ele prolonga a noite sinalizando que deve ela ficar de quatro. Sem a mínima delicadeza, o membro já habita o fundo das entranhas dela. Com um ritmo convulsivo, não demora tanto que o gozo venha forte em jatos longos e quentes. Ele tira o membro e instrui que ela deixe toda a sua seiva escorrer numa exótica comadre transparente. 
"Deixe escorrer tudo... não quero desperdício", assim comenta. 
Parece satisfeito com a situação, ela exausta. Ergue a comadre e a dá de beber. Logo em seguida, ainda como o pau inflado, pega nas bochecas dela e arregaça a boca, e urina no rosto dela deixando o resto escorrer lentamente para a comadre. Terminado o fluxo, em torno de meio litro, ergue a comadre-urinol e lava todo o seu cabelo com o líquido amarelo-cítrico. Há um corpo estendido no chão, marcas de sangue tingem o lugar como um sacrifício para deuses. Então, ele surge na porta e diz:
"Vá se lavar, o jantar está quase pronto... Tinto ou branco?"


P.s.: Sinto o cheiro de fumaça no ar...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Parco



se porventura lembrar do gosto ácido de meus lábios
não esqueça da dor que te causei
das noites turvas que perdestes a vagar em sonhos
ou do desalento que joguei em teus braços
aquele fardo velho onde guardamos sentimentos, também coração,
é prova contrária de que existe verdade
hipótese e tese em simbiose
ou apenas memórias rotundas fustigadas de desejo
para calar a loucura anunciada
vou poupar, cansei de ser barroco
não quero mais um corpo nu para calar o meu pranto

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A tristeza natural do domingo



Tenho que confessar a minha insatisfação quanto ao dia chamado domingo. Neste bendito (para não usar outros adjetivos baixos) dia, eu, durante muito tempo descobri os prazeres da vida, seja na forma do almoço de família, ou no namoro de fim de tarde, que o tempo é perdido sem que tomemos conhecimento de qu'ele esteja presente naquele momento, entre amassos e beijos, o nosso Ménage à trois, eu, você e o tempo, tem findo sempre antes quando o tempo vá embora, e quase-segunda-feira deixa de ser domingo.
Quando se tem um amor, e este é vivido, de nada pesa o domingo. Porém, sem um alguém para dividir este dia, todo o peso do mundo é abraçado num sofá ou cama, em que solitário, todo ser de coração mole, tenta incessantemente enganar a solidão. O domingo bate fundo nos sentidos.
Não são as noites de sexta-feira ou sábado que revelam a solidão, são as tardes de domingo. Por isto, o medo deste deserto habitado de fantasmas é o meu drama semanal.

24/01/10

La haine du Chat le Mort




Entrei sedento no lugar. Pouca luz, muita fumaça e alguns bêbados segurando o balcão. Precisava apenas de um copo limpo e algo forte para aplacar a minha consciência sobre os últimos fatos ocorridos. Ontem, ano novo, encontro pela quarta e talvez última vez uma antiga amiga e quase-amor. Levei um tapa na minha bondade sem o merecer. É fácil alguém julgar o meu passado e pensar qual a medida o meu mundo tem. Porém, não é fácil enxergar a falta de ganância, o ato de dar sem esperar algo de retorno. Ela, que tanto fala de simplicidade, não soube apenas receber. E eu que pensei que os gatos gostassem de mim.
Apenas um copo de cólera aflora o meu mal, apenas um...

  

domingo, 24 de janeiro de 2010

Perdido

no sul de lugar algum sentei e chorei,  como se lágrimas não fossem suficientes para meu desencanto
longe do que queria, perdido fiquei no meio do não-querer
apenas o vazio envolvendo o que não consigo chamar de "eu"