Páginas

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Tangerine Juice

Amy Winehouse berrou perto das 5:21h "No, no, no...". Breve interlúdio entre o som claro e o silêncio opaco que habita o quarto. Domingo de sol, corpos por acordar. O caminho que volta de todos os lugares é o norte que fica dentro de mim. Não consigo esconder o fundo da minha expressão (bundas de âmago), meus sentimentos são expostos como velhos prisioneiros de guerra, que cansados da batalha se tornam gordos e obtusos. O que importa é roubar sorrisos...

Não é nada simples ver o frio nos olhos, gestos curtos e beijos tortos numa familiar desconhecida.

O ambiente em madeira é a melhor opção para o eco das pausas no diálogo.

- Por favor, tem suco de tangerina?
...
- Uma tortinha de banana também. E você, o que quer?
- Espresso e pão de queijo.
- Os clássicos não morrem.
- ...

%Sobe o balão de pensamento no meu diálogo (então que queres tu de mim/ se até o pranto que chorei/ se foi por ti, não sei)

Movimentos lentos até a mesa. Cruzo as pernas para facilitar o movimento do tronco na sua direção.

- Tem gelo para o suco?
...

E neste exato momento, com a luz apropriada, reparo que a felicidade se faz com pequenos gestos irrisórios. Não lembro de onde, mas uma tricotomia me cai da mente:

"Ou a ignorância, ou a tristeza ou a inteligência" (todos exclusivos ou's)

...

Paro o carro na sombra. Sentamos numa calçada que está cansada de me ver passar. Meu bigode revolto, canto sujo de sorvete de chocolate. Da brasa do teu cigarro ofegante leio o passado/futuro que esquece o agora.   

Um comentário:

Natascha Paschoalique disse...

Um tanto de melancolia com um sabor amargo, porém agradável.
Acho que é algo para se sentir, não para comentar em palavras limitadoras. E de fato eu senti.

(quando chegar na casa da minha avó, de férias, quero ler mais)