Páginas

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Trança vermelha




felação
(latim *fellatio, -onis, ação de chupar, de fello, -are, chupar)
s. f.
Prática sexual que consiste em estimular o pênis com a boca ou com a língua.

Gosto de pessoas de atitude, sempre gostei. E muito mais de mulheres fortes, dominantes e com opinião. Mania de brigar, bater de frente e argumentar. Minha natureza, sempre. Apesar de ter experimentado a voz do silêncio e da passividade, e ver que isto me traz paz, quero a guerra e o desafio. Chega de bonança, quero o cheiro da tempestade.

Conhecer pessoas novas é a melhor maneira de saber o cheiro da chuva. Principalmente quando se viaja alguns quilômetros pela BR-101. Algumas palavras trocadas, outro tanto de flertes. Pronto, desejo de curiosidade. O que ela tem? Não, ela não daria bola para mim com uma pessoa com dentes tão bonitos ao lado dela. O anúncio inicial era outro. Ela visivelmente está com medo, e eu estupefato com a beleza dela. Meus olhos gritam o desejo (vide fotos em anexo) que tenho de possuir seu corpo, beber o seu cheiro e romper o espaço vazio entre nossos corpos.

Planejar as situações não funciona bem. Sou melhor com improviso. No fundo, por bem, deu errado o planejado e certo o que não se esperava. Por mais que o google-maps seja fantástico, o meu carro ainda não tem GPS. Perdido, encontrado, te achei no final. E você não sabia o caminho do motel, perdida!

Confesso que estava bem nervoso. Um corpo novo sempre me deixa assustado, por mais que seja despudorado. É o código natural, o sentir o outro. Demora um certo tempo. Mas a trança vermelha me deixou de pernas bambas. Teu cheiro já havia sentido naquele abraço quente do primeiro encontro. Ganhou metade de mim quando fez carinho na minha cabeça, bem na parte de pouco cabelo. Jogou baixo.

Estranhei bastante que apesar da minha "fome", os teus "shiiii" me calavam. É importante saber se entregar. Não esperava tanto carinho numa noite de prazer. Você gozou, eu também (e eu não contribui para isto), apesar da "ite" e todo o resto.

Não foram palavras quentes e cheias de volúpia, mas é a maneira como consigo expressar o que senti naquela noite. Não sei se teremos momentos como aquele, mas a vontade é de muitos outros. Pode ter sido a primeira de muitas noites de prazer, ou um simples devaneio de loucos com tesão. Porém, pode preparar as panelas que em breve deve sair o macarrão.

domingo, 4 de outubro de 2009

Triste prelúdio da Balada de uma morte anunciada


O excesso tolo da língua é a palavra-com-significado. O grito, mesmo calado, extrapola qualquer palavra. É o apenas "não-dizer" para ser escutado. O fingipoeta cospe o verbo como catarro, comer catarro para para entupir meus sentimentos-que-doem. Quem precisa de dor para doer o vazio? As pausas sempre parecem maiores do que os gemidos. In-rito de passagem qualquer coisa parece muito. É a fome de atenção, onde todos pegam na alça do seu berço, dois escuros, um amarelo e um pornô. Guilhotina em cada fio de pensamento-desejo. A velha bengala se apoia no velho-mais-gasto. Engasga, e tropeça numa dimensão de log(3)/log(2). Balões, preferia, quase-sempre, estourar. Compasso de res-piração. Vírgula, na, virilha. Não pretendo me entender, quero apenas pós-sentir-pré.