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domingo, 30 de agosto de 2009

Cabelos furta-cor



Um vulto, é apenas isto que denuncia o pequeno facho de luz que foge do canto da sala . Cheiro de alguma essência doce, talvez um perfume. Não sei como, mas me encontro amarrado, amordaçado e sem a mínima noção de TEMPO. Acabo de acordar, e apenas aquele vulto a me observar. Devia estar com medo, estou praticamente nu, estirado numa cama que pouco parece servir ao sono, diversos objetos estranhos que parecem causar dor.
O vulto agora percorre a sala na minha direção. Parece a silhueta de uma mulher. Bunda empinada e seios abundantes por baixo da capa que esconde praticamente todo seu corpo. Uma capa negra que caminha, com algum coisa que tem salto, que tilinta no chão que parece brilhar mesmo com tão pouca luz.
Agora consigo perceber uma máscara. Um gato do tipo "vaquinha", misto de branco e preto. Algo inusitado para quem veste uma capa como aquela. Ela exibe sua mão, muito branca. Nela, um enorme acendedor. Percebo o chão cheio de velas, que ela começa acender vagarosamente. Tento acompanhar com o olhar, mas meus movimentos não ultrapassam o simples caminhar dos olhos. Começo a ficar preocupado, seu sorriso é misto de maldade e travessura.
Totalmente indefeso, começo a tentar emitir balidos curtos com aquela maldita ballgag. Quando ela rompe o silêncio: "Calado, tolo!". Vi toda sua fúria comprimida em dois olhos negros, cravados de crueldade. Vi e admiti que qualquer resistência seria inútil.
Porém, tarde, o primeiro golpe é dado. Cera quente no mamilo despreparado. A risada sádica e o meu grito abafado. E o pior de tudo, ela era menor e mais fraca do que eu. Com um braço lhe botava de quatro e lhe ensinava o que era bom. Mas, estava castrado simbolicamente. De nada adiantava a minha virilidade ou mãos grandes, era dela a vez e a vontade. Me perguntei, enquanto o mamilo parava de latejar, como ela conseguira me amarrar daquela maneira. Aqueles olhos e aquela boca não me eram estranhos. Será alguma ex-namorada rompendo a vingança por todas as mulheres que sentiram o peso do meu corpo? Não consegui concluir nada, pois agora, ela roubava minha atenção. Uma mão suave, com unhas negras e longas tocavam o meu membro. Traidor, ele rompe um sorriso ereto na boca dela. Bastardo, reconheceu aquela boca, e eu, não faço a mínima idéia de quem seja.
- Vou falar de uma maneira clara e objetiva. Vou soltar as tuas pernas, você não vai resistir. Quero que fique de quatro. Acredite, eu posso ser muito malvada. Não queira sentir a minha fúria.
Frases claras e objetivas, fato! Mas quem disse que não iria ser sorrateiro. Soltou as cordas que prendiam as minhas pernas abertas a mais de noventa graus na cama. Não fui precipitado, mas quando sua guarda baixa, tentei aplicar uma chave de pernas envolta em seu dorso. Pura estupidez. Na mesma hora, aquela mão pequena, segurou o meu escroto e torceu... Dor aguda e lancinante. A fúria foi libertada. Imobilizado com apenas uma mão, como uma ovelha, simplesmente obedeço.
Ela xinga, me chuta e faz duras ameaças. Agora sim, devo ficar com medo. Não existe herói para alguém amarrado e amordaçado numa cama.
Ela tira a capa. Preferia que não a tivesse feito. Sua LIBIDO parece preencher todo o ambiente agora. Exibe um membro postiço, vermelho e translúcido, que tem contraste direto com sua lingerie negra na sua pele alvíssima. Me coloca de quatro. Abre minhas pernas. Um beijo grego que rompe o meu âmago. Tudo muito úmido.
Ela projeta o corpo na direção do meu. O pseudo-membro é a lança que quer matar o dragão. Sem escudos, apenas a entrega. LASCíVIA crua em algo tão artificial. Com o rosto colado no lençol áspero, meus gemidos entre a dor e a humilhação eram calados por uma lamúria, quase um mantra, que a boca dela não parava de agonizar.
Após aquele longo e contínuo movimento pendular, punge o seu próximo agouro.
- Agora, vou fazer você gozar como nunca fez antes.
Com alguns dedos dentro de mim e outros a massagear meu escroto, não demorou que meu traidor rompesse a chorar o seu pranto. Recolheu toda a sua seiva numa pequena taça. Não, ela não vai fazer o que estou pensando...
- Agora, vou tirar tua mordaça. Quero que abra a boca, beba tudo e agradeça.
...
- Obrigado.

P.s.: Adoro fazer suspense, pequena Nina

3 comentários:

Niina disse...

Tão devasso quanto eu....tão frio e calculista quanto eu...e com um coração do tamanho do mundo....eu estou te conhecendo 'stranger' ...mas por mais que eu te conheça profundamente...ainda sim será meu estranho.


Beijos.

ps: eu realmente gostei do texto.

Jaqueliny Euzébio disse...

Eu fiquei arrepiada com esse texto.
Muito bom.

Lets de Assis disse...

Muito útil... bah!
Créditos serão dados