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quinta-feira, 12 de junho de 2008

Será que existe o tempo?

Uma hora dessas tenho que limpar a poeira acumulada dos anos
Daqueles livros que não leio mais
E dos filmes que perderam a cor e o sentido
Mas tenho medo...

Volta e meia ainda grudam nos meus pés
Aqueles fios que tanto me incomodavam
Do teu cabelo furta-cor
Que com a minha mão, como escalpo tirava

Lembra daquelas cartas??? estas mesmo...
Que me escrevias quando longe ficavas
Tudo ficou num lugar que não lembro
Ou que não quero lembrar

O duro é não esquecer o teu cheiro
E não me refiro ao perfume que te dei
Sim o cheiro da pele molhada de suor
Transpirando prazer e gemidos

Não sei o que aconteceu entre nós
Só sei que me perdi em algum lugar
Talvez aquelas árvores tenham roubado a minha vontade
Onde parece perpétuo o inverno

O abajur, este eu não ligo mais
O fantasma da tua sombra vermelha
Sempre queima a minha retina
E não preciso de mais motivos pra umedecer a minha face

Triste brasa que queima o meu peito
Não é a tua ausência que machuca meu corpo
Pois muitas vezes apenas tinha você de corpo presente
Mas a tua cabeça e os teus sentidos
Longe passavam do meu tino

O que me corrói é não saber o que restou mim
Sem que você tenha tocado e mudado
É difícil não abrir a torneira
E lembrar de fechar prontamente

Talvez o rolo de papel
Ainda seja aquele último que usasse
Faz tanto tempo, tantas coisas aconteceram
Mas as marcas nos azulejos
Estas, nunca se apagaram

Mudei sim, o meu colchão velho
Aquele, com todos os aromas de amor
Que de todos os fluidos foi embebido
A minha parede gelada ainda esta no mesmo lugar

Tropeço em imagens, conjuro feitiços
Quebro ditados e grito ao vento
Mas nada te trará de volta pra mim
Porque de mim, não resta mais nada

Sou pedaços de um mundo partido
Perdido numa galáxia qualquer
Que tão longe e fria
Não enxerga mais o brilho das estrelas

...

P.s.: Eu sei, hoje seria 3 anos daquele domingo...

12/06/08

Sugestão: Ler escutando "Quarto de Dormir" do Arnaldo Antunes

Um comentário:

Niina disse...

Acabei de me ver na tua pele.
O que diz no texto...me lembra tanto o que se passou comigo.

Não sei do tempo...mas acho que é ele quem está curando as minha feridas abertas.