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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Qualquer uma? Sacanagem!



Eu cá estou, debruçado na rotina de mais uma quarta-feira, em que o dia demora a passar... É a situação pré-coito do final de semana. Quase religião, quarta, sinuca e o papo jogado fora sobre as últimas leituras. Porém, um dicionário histórico-político (ou melhor, cinco livros pesados e com mais de dez mil páginas) muda drasticamente meus planos para fuga da monotonia.

- Você trabalha aqui?
- Sim. Em que posso ajudar?
- Bem, vi que vocês tem um dicionário de política antiquíssimo, mas é um bocado... Nossa! que interessante este seu colar. Parece feito de brigadeiros. Posso tocar?
- Claro. Os "brigadeiros" dão em árvores lá da Índia.
- Puxa, bonito mesmo... Tem uma textura interessante. Como eu ia lhe falando, um bocado volumosos estes dicionários. Teria como entregar na minha casa? Moro perto, na direção do Pantanal, mas não dou conta de carregar todos eles sozinha.
- Estamos sem entregar no momento, mas caso queira, eu posso te ajudar a levar no final do meu expediente. Vou pr'aquelas bandas logo que sair. É a minha religião...
- Engraçado alguém com um visual assim, professar sua fé no meio da semana. Nem lá no interior as pessoas vão a missa no meio da semana.
- Não é bem rezar o que vou fazer. Vou encontrar uns amigos num bar, algumas partidas de sinuca e um pouco de bobagem pra tirar a tensão acumulada.
- Mas assim eu vou atrapalhar a tua diversão. Não quero incomodar.
- Assim eu posso sair um pouco mais cedo do meu pequeno martírio.
- Até parece que trabalhar com livros é chato assim. Imagina se estar rodeado deste mundareu de mundos...
- São mundos distantes demais de mim. Sem dúvida, tenho uma grande paixão por livros, tanto que trabalho fora da minha área de formação.
- Formado em...?
- Matemática.
- Exótico.
- Gosto desta palavra.
- Eu também.

A troca de olhares marcou a intenção de cada um perante o outro. Ela, era o ser exótico que não tinha tido coragem de assumir seus desejos. Vinda do interior, apenas um namorado que demorou 3 anos para lhe dar um sexo oral a muito contragosto, havia cansado da vida pudica. Ele, homem vivido, que com cinco palavras ou uma dança sabia se alguém queria dar para ele (ou não).

- Faço assim então, pago agora os livros. Tenho que fazer algumas voltas daqui a pouco. Passo no final do dia aqui, e se não for abusar, você me ajuda com eles. Que horas você sai?
- Daqui uma hora, mais ou menos.
- Certo. Venho daqui uns quarenta minutos...
- Me deixa telefone e fique com um cartão meu.
- Está bem.

Ela voou para casa e arrumou como deu a depilação. Sabia que aquele moço da livraria iria salvar seu dia não só trazendo os livros, mas lhe dando prazer. Estava eufórica. Não tinha acreditado na sua coragem, não que pedir para alguém ajudar com alguns livros o fosse, mas conseguiu ler no corpo dele a palavra tesão. Pensou e decidiu que ela não precisaria ajudar ele. Seria até melhor que ele cansado chegasse, assim poderia lhe oferecer algo para beber. Ótima idéia dona Mayla, pensou. O telefone toca, é ele. Será que ele escutou meu pensamento. Ele vai me devorar inteira...

- Alô, eu poderia falar com a Dona Mayla?
- É ela.
- Aqui é o moço da entrega. Já estou saindo daqui, mas preciso do seu endereço.
- Você leu meu pensamento. Acabei vindo direto pra casa. É na segunda rua depois da padaria, casa verde, número 62.
- Ok, daqui a 10 minutos estou aí.
- Te aguardo.

Tomou seu banho mais rápido da vida, mas pretensiosa continuou de toalha e uma calcinha minúscula que mal cobria seu sexo.

Dim-dom, a campainha tocou. Acendeu um incenso e abriu a porta. Aquele homem suado mal tinha atravessado a porta e ela já o puxava pelo colar de brigadeiros. Toalha caída, a porta batia e ela cheirava o seu suor. Ele adorou pegar no cabelo molhado e curto da moça recatada que agora se mostra despudorada.

- Não importa eu dizer o meu nome?
- Não me venha com romantismos... Nem cheguei perto dos livros de auto-ajuda pra você tentar me oferecer isto.
- Então faço qualquer uma sacanagem contigo?
- Me chama de puta pra cima, me chupa, me bate e me xinga... Posso não ter muita experiência, mas tenho tesão e hoje eu quero você em mim.

O "querer ele" dela bastou para criar todos os quereres dele.

Da noite que passou restam poucas marcas no corpo e uma fatura do cartão de crédito.

Pra ele a fé de quarta agora cheira incenso, pra ela uma bom amante que entende de livros.


P.s. Texto para Letícia com as palavras presentes no título

2 comentários:

Lets de Assis disse...

adoro amantes que entendem de livros...

Naiara disse...

Uow, que medo de uma frase aí... hahaha. :-#