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sexta-feira, 3 de julho de 2009

Aquele corpo manchado de tinta


Ela estava lá, escondida, num misto de sorriso e curiosidade, como uma criança que espera a outra, numa brincadeira boba, que na sua contagem ultrapassa várias vezes o finito infinito de números que conhece... Nuvens claras, que de leve deixavam escorrer a sua face em nós. Esta era sua barreira contra nossos corpos nus, que expostos a Lua, da janela daquele quarto, não transpunham apenas aquela fenestra, mas sim todos os umbrais do prazer. Não era o falo ou a fossa, muito menos o simples roçar dos corpos a violentar o próprio atrito, aquilo corrompia os sentidos como um acorde dissonante que não prepara e nem finaliza, simplesmente ecoa, resvala e esbarra numa parede de gritos. Suas marcas, tanto as crivadas quanto as qu'eu propunha, ficavam expostas, latejando no frescor de uma noite clara de verão. Aquele corpo manchado de tinta era todo pura oferta, enquanto sua boca metálica sorvia tudo de mim.

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