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segunda-feira, 6 de julho de 2009

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Mais uma vez o contato da louça gelada acordava meu corpo inteiro após a masturbação rotineira de uma manhã de inverno. Devia escrever uma máxima sobre a altura e temperatura dos objetos do banheiro, mas me falta literalidade pra tanto. De certo modo, é neste pequeno momento, la petite mort, que minha natureza se revela. Independente da longa sombra dos anos, acumulo uma lista de "pequenos crimes", entenda crimes como as paixões sadianas que destroem os costumes. Minha história é simples: sou um homem sem rastros. Tudo que tenho, são meus prazeres. Tive sorte em momentos pouco propícios, o que me rendeu mais dinheiro do que consegueria gastar se o quisesse. Admito que a fase "novo burguês emergente" ocorreu com algumas voltas ao mundo e seus gostos, mas nada que muitos já não tenham feito. Quando meu rosto começou a circular em revistas que nunca li, mas que sei que servem como mostruário de "homens que você deve conhecer no próximo mês", decidi que a clausura seria um bom argumento de fulga. Neste momento, morri para mundo e para mim.
Mortos usam ternos e sapatos. Eu me despi, despedi e despedacei todos os meus traços de membro de uma sociedade. Um ser desfigurado, amorfo e habitante de uma realidade paralela e transversal. Isto, sou eu...

Depois de muito lutar contra minha natureza, decido dedicar integralmente meu tempo ao meu único real interesse. Oferecer a libertação aos que procuram o prazer como forma de transgredir o eu. Não é catecismo, apenas pura revelação através dos sentidos.

Mas como alguém na sombra pode encontrar suas vítimas?

Um comentário:

elfah disse...

Ainda atrás de vitimas?