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domingo, 12 de outubro de 2008

Quereres poucos


- Ei poste, vamos dançar - e assim começou o diálogo.

Não dê ouvidos aquela loira na festa que você julga a mais fútil. Alguém tão bonito não pode ter um cérebro interessante.

Errado!!!

Mais uma vez, meu julgamento de longe estava totalmente equivocado, e a sua agressiva beleza não era mais um engodo que a natureza utiliza para a simples multiplicação dos infelizes.

Apesar da boca imunda, falando todo tipo de palavra baixa, de perto sua voz moderada tencionava não apenas os meus tímpanos, mas também minha medida sobre as coisas.

É estranho como eu gosto de estar errado e ver meu lugar-comum ser destruído por uma nova informação. Ter que pensar sobre todo o meu "pequeno-universo" como algo novo e desconhecido.

Conclusões e surpresas rodeadas da horda a nossa volta dançando Bee Gees.

E que sorriso...

Mas nada se comparou aquela dança, em que os corpos, praticamente em simbiose, não varriam o salão, e sim um canto escuro da minha solidão.

Não sei se por compaixão ou por interesse, mas na despedida, cada beijo foi ficando mais perto da boca, e talvez por eu não me mostrar ofensivo a ela, fui pego por sua boca beijando a minha.

Não acreditava que pudesse me querer, mas naquele pequeno momento, fui eu o seu querer.

12/10/08