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domingo, 21 de outubro de 2007

Eu quero explodir o seu vaso sanitário! (e vai respingar)



Muitos garotos podem vestir uma farda
E brincarem que são os soldadinhos de chumbo de uma nação
Mas poucos viram homens
Pra entender o que é a guerra

Apesar do sangue nas suas mãos
Não entendem que são apenas peões no grande tabuleiro
Que nada do que fizerem
Será mais importante do que a sua morte

Seja pelo seu deus ou seja pela sua família
A guerra destrói os fracos e consome os inocentes
Mas será que ela não é o instrumento da evolução?

Como podemos distinguir o que é podre
E que serve apenas de adubo
Do que precisa germinar pra construir novos jardins

Salve a guerra nossa de cada dia
Porque só a paz não estimula o espírito humano
Só com problemas é que lutamos e crescemos
Sem o adubo dos corpos e almas
A messe não será ceifada
E o homem vira novamente coletor

Acomodados aqueles que buscam a paz
Que fogem de conflitos e discussões
Pacíficos ânimos dolentes
Que não têm sangue em suas veias

Compre um livro e mate a sua ignorância
Pois não faltam indagações sobre tudo
É fácil acreditar no equilíbrio
E calar o desejo de saber do que é feito o mundo

Certas são as crianças
Que botam a mão no fogo pra descobrir que ele é malvado
Tolo é o homem
Que abandona uma pergunta por se sentir cansado

21/10/07

sábado, 21 de julho de 2007

Boneco de pano



Tolo és tu
Que tem as víceras de farrapos
Rotos e escrotos
São teus sentimentos pelo mundo

Serves bem a quem convém
Mas quando sujo e desnudo
Ninguém lhe oferece lágrimas
Para limpar o teu sorriso

Sorriso bobo
De criança sem malícia
Que mal tem dentes
Para abocanhar o mundo

E a tua língua
Que talvez poucos entendam
Tristes balbucios
De muitos gemidos

Pobre boneco de pano
Que de tanto tentar ser humano
Esqueceu quem era e o que é
Teu lugar não é aqui
Vá em busca da tua quimera
Porque monstros, somos todos nós

...

21/07/07

terça-feira, 17 de julho de 2007

O Sonho


A patética existência do ser
Se confunde com a liberdade e os sonhos
Cada qual um crivo de desejos
Todos únicos e particulares

Tantos quanto os desejos
Os segundos se perdem na memória
E o conformismo consome a vida
Como as brasas num cigarro

Triste dúvida da escolha
Podre certeza de poder errar
Verdades escuras que ficam caladas
No torpor da lamúria clara da solidão

Lágrimas não cobrem mais o meu sorriso
Pois o juízo é alheio a minha vontade
E tarde o dia nasce de novo

...

E eu que pensei que não gostava de gat@s...

17/07/07

terça-feira, 15 de maio de 2007

Viçoso


A verve comanda o meu sexo
Podre é um bom adjetivo a minha pessoa
Sou escravo do meu prazer
Ou senhor dos meus desejos?

Lúgubres palavras ditas ao vento
Num caminho que esquadrinho
Passos largos e sincopados
Pela rua que não tem fim

Basta de calar meu fogo
Não quero mais banhos frios e gemidos sozinho
Chega de ser a fênix da minha luxúria

Quero um amor que seja devasso
Preciso de beijos sinceros
E de um bocado de sacanagem ao pé do ouvido

15/05/07

sábado, 12 de maio de 2007

Cartas que escrevi aos amores que tive e nunca enviei



Uma carta de amor é algo incompreensível
Pra quem nunca sentiu o toque do amor
Juras infindáveis e eternas
De seres tão desprezíveis perante o todo ou o nada

O infinito e o minúsculo são tamanhos
Facilmente alcançados
Quando o ópio do amor
Inebria os nossos sentidos e razões

Todo defeito é minúsculo
E todo prazer é infinito
Todo tempo é minúsculo perto de você
E a saudade ultrapassa o infinito

Difícil é romper os laços
E matar amor que colore os teus olhos
Pois póstuma é a visão de um ser apaixonado
Que só enxerga o todo após o triste fenecer

Falar de amor é não falar de nada
Pois ele me escorre pelos dedos
Como o ar que respiro
E sai do meu peito como o mais calado grito

...

Por hoje basta... o prelúdio já está no quinto compasso e o tema já vai começar...

Que a música sem fim chamada silêncio comece a tocar

12/05/07

sábado, 7 de abril de 2007

Bonecas animadas


- O que é esta boneca nas tuas mãos? Por que ela se mexe tanto se não tem ânimo?
- Parece que virei um titereiro sem perceber...
- Bem, se és feliz assim, continua a brincar com o teu triste fantoche.
- Mas ela me faz tão feliz...
- Uma flor também te faz feliz. Teu sorriso é frouxo. És um tolo que não sabes o porquê do teu sorriso.
- E então a felicidade não é isto? Um sorriso tolo, que não sabemos expressar o porquê?
- Talvez seja. Talvez seja algo que poucos sabem o real sabor. Mas como podes ser feliz sozinho, se tua boneca não satisfaz os teus anseios? Ela não responde se gosta de ti, não te indaga da tua volúpia, ela nem tem sentidos pra distinguir o que é você...
ela não te percebe...
- Não importa. Eu não vivo dentro dos sentidos dela. Mesmo que ela tivesse ânimo ainda assim seria. Meu mundo são os meus sentidos e meus prazeres.
- E o que te dá prazer com ela?
- Não sei. Não vejo mais o mundo sem ela.
- Você está cego e nem percebe. Talvez o boneco seja você... Onde estão as tuas cordinhas???

07/04/07

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

O Libertino


Eu sou isto
Um libertino
Que se esconde atrás da pompa de bom moço
Não que um ser devasso não possa coexistir com tal
Mas a dita sociedade recusa tal coexistência natural
Quem disse que o amor não é libertino???
Ou que o mais puro prazer não é o amor???
Arcano impostor aquele que se priva de viver
Pois os murmúrios da tua consciência hão de te entorpecer
E louco te tornarás...
E aí então não existirá mais realidade
Porque o insano é consumido por seus devaneios
E de nada adianta a beleza ou as cores
Se não tens olhos para enxergar tal
Não adianta o cheiro das rosas
Pois o teu ópio destruiu os cheiros
E até o mais simples palato
Tornou-se fel na tua boca imunda

Porém, num breve momento, o libertino
Vive a sua vida, projetado suas volúpias a todos os que o cercam
Ele apesar de imerso na sua putaria
Sente todos os cheiros e gostos do mundo
Pois não tem medo da realidade
E cada dia tem uma nova cor

...

Uma estrela não escolhe em que céu vai brilhar, são as pessoas que escolhem se querem vê-las ou não...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Palhaço


Mais triste é o palhaço
Que chora enquanto os outros riem dele
Não fatigado corre de um lado para o outro
Para chamar atenção

A atenção que é desviada do seu semblante
Pois ali as lágrimas brotam
E a maquiagem vira uma pasta
Que escorre junto com o suor da agitação

Pobre palhaço
Que por ofício faz da dor um sorriso
E que faz de seus sentimentos
Uma piada ou um chavão

Triste agouro calado
Aquele que pinta uma lágrima na face
Porque sabe que elas sempre brotaram
No meu circo o palhaço sou eu

domingo, 21 de janeiro de 2007

Rio





Parado a olhar o rio que não corre
Congelado, calado, nu e sem vida
Talvez atravessar o rio eu devesse
Mas não vejo Caronte

Quem sabe as moedas me sirvam pra algo
Onde será que encontro uma máquina de chocolates?
Talvez um pouco de felicidade instântanea
Me livre desta falta de sexo

E se ele estiver de férias?
Quanto tempo será que dura a eternidade?
Talvez construir uma jangada fosse um bom passatempo
Pode ser perigoso

Será que existe um monopólio de barqueiros da morte?
Qual era o nome daquele maldito cachorro de três cabeças?
Talvez ele conheça algum atalho pro outro lado
Mas pra que atrevessar um mar de pensamentos
Se não consigo cruzar o rio que corre pra lugar nenhum

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Quase epitáfio de despedida...

Hoje é um bom dia de me olhar no espelho...
E tal vez entender o que eu sou
Garoto mimado, com medo e sem sono
Acordado sonha e não sonha em preto e branco

Não sou Diofanto pra tentar matematizar meu epitáfio
Mas muitos números eu tive na minha curta história
Números inteiros, feitos de carne e osso
Outros pedaços, de sentimentos e sensações

Um dia tive cabelo de anjo
Enroladinho com cachinhos dourados e tudo mais
Logo os cachos se foram
E a pureza e a inocência nunca mais

Sim, amores tive alguns
Alguns insanos e outros sensatos
De todos os gostos e de todos os cheiros
Mesmo que deles tenha só ganhado um olhar

Sim, muitas vezes eu errei
Errei por ficado tão dentro de mim
E não ter olhado o mundo a minha volta
Palavras ainda cortam mais do que espadas

Sim, louco eu sou
Louco por não aceitar as coisas do jeito que elas são
Meu egocentrismo é o meu arquinimigo
Existe ainda um mundo bonito dentro da minha cabeça

Acho que tenho vários amigos
Poucos talvez possam verdadeiramente me ajudar
O mundo talvez seja mesmo constituído por apenas 2000 pessoas
E todos os outros talvez seja apenas figurantes

Sim, meu cachorro é ninja
Pois é ele que abana o rabo pra mim todos os dias
Fiel, pois mesmo quando não brinco com ele
No outro dia ele não lembra mais que não brinquei

Sim, ainda quero voar
Voar para dentro de mim
Tentar achar aquilo que perdi
Que o tempo levou e não percebi

Não, não me esqueço de nada que fiz
Principalmente das promessas que tive que quebrar
Infelizmente as regras mudam
Pois o show tem que continuar

No espelho vejo tudo ao contrário
Meu narcisismo me repele de meus defeitos
Sim, eles são maiores que minhas qualidades
Qualidades e defeitos que na minha balança
Não tem o mesmo peso ou quantidade

Queria ser mais humilde
Queria ter menos tesão
Queria ser mesmo revoltado
Queria até ser mais bonito

Sim, fui muito malvado
Machuquei muitas pessoas
Não foi com má intenção
Muitas vezes era apenas a minha auto-proteção

Um "firewall"(eu ainda odeio a lingua inglesa)
Fogo... Isto sim é o meu problema
Hedonista eu sou
Talvez este seja o meu elo animal

Animal que não pode ser qualificado como qualquer outro
Eu não sou diferente, nem tão pouco igual
Apenas sou eu
Estranho, ilógico, bizarro e anormal

Não concluo nada
Nem deixei o mundo melhor
Talvez arranquei alguns sorrisos de poucos
De poucos que estiveram perto de mim

Minha transcendência...
Vive no sorriso puro de uma criança

Meu sexo


Cálido, fálico e esdrúxulo
Torto, sinistro e laico
Este é o meu sexo

Não sou homem ou mulher
Sou andrógino e assexuado alguns minutos

Quero o teu sexo
Procuro o teu cheiro
E o que encontro?
Desprezo

Por que ainda te quero se tanto foges?
Por que se tu foges, então não me deixas?

Acho que meu fogo não te queima
Meu furor não perpassa o teu
E meus gemidos são obtusos aos teus sentidos

Dúvida...

domingo, 14 de janeiro de 2007

A Boca


Palavras, gemidos e sussurros
A boca rompe o silêncio como um prelúdio
Da música que a alma canta

Ela, tão bela que mostra o sorriso
Ela, tão triste que jorra o grito
Fecunda como a terra depois da chuva
Soturna como o próprio breu

Mas nos teus lábios que encontro a minha paz
Perene e doce afagas todos meus sentidos
As vezes pertubadoramente lacônica
Noutras delongas sem fim

Agora me aprisionas pela boca
Pois, sem ela, já não sei quem sou
E assim, tu partes o que sou eu
E uni por ela ao teu tu

14/01/07