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domingo, 31 de dezembro de 2006

Estúpidas Mentiras


Adeus mundo velho que morre a cada segundo
Escorrem das minhas veias os últimos suspiros teus
Tolo aquele que espera um ano todo pra te ver morrer

O que já passou é imutável
O que há devir é volúvel
Porém, o que é o agora?

Celebrem a estupidez humana
Pois só os que ignoram a realidade
Conseguem ser plenamente felizes
E não se envergonharem de tudo que nos cerca

Abracem as pessoas na qual você vai cuspir na cara quando passar na rua durante o ano
Deseja a paz, quando você pensa em comer a mulher do seu vizinho
Minta pra você mesmo, fazendo promessas que não conseguirá cumprir
Doce ilusão de que um ciclo termina e outro começa
Como se você não fosse a mesma pessoa de um segundo atrás

31/12/06

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Folhas soltas - 2



Dia 2

Lembrei que um dia comecei a escrever um diário
Que talvez se tornou anuário...

É muito estranho como me sinto atualmente
Segurança, felicidade, uma boa dose de sacanagem
Não posso negar que tenho mais do que preciso, mas será que é isto o que preciso???

Eu ando me perdendo, não sei bem o quanto de mim ainda resta dentro deste corpo
Mas talvez o fogo não venha a arder novamente
Eu não busco mais nada, pois já encontrei tudo o que eu procurava, mas será mesmo que eu procurava???

Talvez eu quisesse ser achado, talvez eu quisesse ter me perdido

Queria não saber perguntar tanto...

"A tradição é a personalidade dos imbecis." Albert Einstein

29/12/06

sábado, 21 de outubro de 2006

Perdas e ganhos


Perder a cabeça até ganhar um amor
É necessário para aqueles que vivem intensamente
E fazem dos mais simples momentos
Gestos do mais puro sentimento

Perder o amor até ganhar um sofrimento
Faz aquele que tenta matar um amor
Que ainda lhe aquece o peito

Perder o sofrimento e ganhar a solidão
É o caminho mais curto para o vazio d'alma

Perder a solidão e ganhar o que???

Fractal

21/10/06

domingo, 15 de outubro de 2006

Velho Amor


De repente eu olhei para os lados e não te vi mais
Te procurei, mas você não queria me encontrar
Talvez nem mesmo você queira se encontrar

Agora não somos mais uno
Não passamos de meros estranhos
Que não têm mais o mesmo caminho

Bifurcações, secções, pequenos abalos num caminho tão longo
Fazem diferenças que não podem ser consertadas
Agora são rumos diferentes
Que talvez nem se cruzem mais

Não existem caminhos retos
Sempre existirão pedras, tropeços e lágrimas
Mas novamente tenho uma antiga companheira
A solidão

Que apesar de fria, turva e desprovida de afeto
Não consegue por meios próprios me abandonar

Nisto talvez tu te assemelhas a ela
Me abandonaste não por tua vontade
E sim pela vontade dos outros

Triste dor que aflora do meu peito
Que nada pode curar
Dor de amor é dor sem cor
Cheiro ou gosto de prazer

Adeus meu mais novo velho amor

15/10/06

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Sombras


Soturna não é apenas a noite
Que se esconde atrás do teu sorriso
Brilho calado, distante e puro
Mistério que transcende o teu ser

Estranho é aquele que repousa em teus braços
Que de todos os laços tenta se desprender
Mas não foge de ti e sim dele mesmo
Pois sabe que amar é perder-se nos braços de alguém

Não é um alguém que ele escolheu ao acaso
Mas o acaso escolheu ela pra ser o alguém
Um alguém que não é ninguém
Pois ninguém nunca poderá ser alguém

E como pano de fundo... o céu noturno
Cheio de estrelas a cintilar
Porém nada brilhantes como a luz do teu olhar

26/06/06